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Os Reis Robertos, a Jovem Guarda e a Explosão da Bomba

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Roberto Carlos Braga

Roberto Carlos Braga

Sobre o cenário da música brasileira no período da Ditadura Militar temos como aceito certa avaliação que divide o palco em dois grupos: uma “jovem guarda” alienada e passiva ao contexto político do país e uma MPB engajada. Hoje, propomos-nos a discutir e a relativizar essa afirmação, sem qualquer pretensão de engrandecer ou de justificar o posicionamento político e artístico de qualquer nome da nossa música.

Programa Jovem Guarda, TV RECORD

Programa Jovem Guarda, TV RECORD

Durante a década de sessenta, a cena artística ficou cerceada pelas políticas de controle social. Muitas coisas não podiam ser ditas e muito daquilo que se queria dizer, precisava de uma formato velado que protegesse as idéias do aparato da censura. É bem plausível, que os grandes desdobres nas letras de músicas não tenham sido formulados pela Jovem Guarda, no entanto, traremos para vocês um exemplo no qual a divisão entre música de protesto e o iê iê iê não era tão estanque assim.

Roberto Carlos cumprimenta autoridades militares.

Roberto Carlos cumprimenta autoridades militares.

Nesse cenário musical, despontou na TV um programa chamado Jovem Guarda que estreou em setembro de 1965 no canal Record. Comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, ele rapidamente foi marcado por uma grande audiência popular. Nesse contexto, Roberto Carlos foi um porta voz da Jovem Guarda e do iê iê iê – estilo musical que se inspirou as baladas de rock dos anos 50, que falava de namoros juvenis e romances aventurosos. A maioria das músicas da Jovem Guarda não tinha compromisso com a crítica política ou social, todavia também não se assumiu partidária da ditadura e nessa posição de “não assumir lados”, foi tachada de apoiadora da Ditadura.

Roberto Rei, Resistência na Jovem Guarda

Roberto Rei, Resistência na Jovem Guarda

Outro cantor e compositor da Jovem Guarda, Roberto Rei, bem menos conhecido que o “Rei Roberto”, compôs algumas das músicas de grande sucesso na época. Dentre elas encontramos as canções Onda do jacaré e História de um homem mau interpretadas por Roberto Carlos.

Das interpretadas por ele próprio, escolhemos para hoje a música A bomba está para explodir na praça enquanto a banda passa, para mostrar que o estilo musical da Jovem Guarda também guardava seus resistentes.

Roberto Rei e o canto da Juventude - Jovem Guarda

Roberto Rei e o canto da Juventude – Jovem Guarda

Lançada em 1967, período no qual a ditadura passou por um processo de endurecimento, a canção fala de um atentado terrorista que irá acontecer enquanto uma banda de música passa por uma praça. Como toda a obra de arte, não cabe a nós por aqui interpretá-la por vocês, mas fica por aqui, o convite para pensarmos nessa banda, nessa praça e nessa bomba cantada por Roberto Rei em um contexto musical tomado de produções descomprometidas, no qual exceções não deixam de surgir.

A bomba esta para explodir na praça enquanto a banda passa – Roberto Rei

A bomba está para explodir na praça enquanto a banda passa (Refrão)
A praça é este mundo alegre em que vivemos.
De gente tão risonha tão contente e tão feliz.
De gente que não pensa em ódio e vingança.
De gente que ainda pensa nesta vida com esperança.”

(Refrão)

A banda é o conjunto de gente que trabalha.
De gente que só pensa em produzir e construir.
De gente que não sabe que existem homens maus,
que pensam diferente, pois vão tudo destruir, porque…

(Refrão)

A bomba é a guerra o fim destruição.
De tudo que existe do amor da ilusão.
A guerra é enfim a ultima desgraça,
pois tão pouca gente vai dar fim a uma raça, porque…

(Refrão)

Curiosidades!!!

Você sabia que a ideia de uma banda passando pela praça, faz referência a uma música lançada um ano antes A banda – Chico Buarque de Holanda?

Você sabia também que pode ver, por meio de um documento militar da época, “determinados artistas que se uniram à Revolução de 1964 no combate à subversão […] sempre dispostos a uma efetiva cooperação com o Governo”. Encontramos, dentre eles, Roberto Carlos, Agnaldo Timóteo e Wilson Simonal.

(Clique para ver o s Documentos Folha 1/Folha2)

Das últimas: Jango não deixou a presidência do Brasil em 1964!!!

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Vida no Exílio, após perder o mandato presidencial.

Vida no Exílio, após perder o mandato presidencial.

 No dia 18 deste mês, o Congresso aprovou o projeto de resolução 4/13 que anulou a sessão do Congresso de 2 de abril de 1964, quando foi declarada vaga a Presidência da República, ocupada por João Goulart. A vacância da presidência foi o primeiro passo para a implantação da Ditadura, que duraria até a década de oitenta.

Jornal noticia resistência de João Goulart.

Jornal noticia resistência de João Goulart.

Os autores do projeto de resolução, senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), questionaram que a vacância não poderia ter sido declarada, por que Jango estava no Brasil (no Rio Grande do Sul) e não no exterior. Simon informou que estava com Jango naquela noite, na cidade de Porto Alegre.

Curiosidades:

Leia também esta reportagem do site do Congresso Nacional sobre a devolução do mandato de Presidente para João Goulart.

Sabia que você também pode descobrir e explorar o que os Deputados e Senadores falavam? Usando a ferramenta de busca dos diários oficiais, você pode reviver o passado de nossa política. clique aqui.

Olhar de Oficineiro: Uma oficina com o terceiro ano do Colégio Estadual Cândido José Godoy.

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Carlos, Estagiário do APERS

Carlos, Estagiário do APERS

 Foi uma das primeiras oficinas que fiz e em meu grupo ficaram quatro meninas e um menino, todos do terceiro ano do ensino médio. O assunto inicial foi estarem em preparação para o vestibular, estavam curiosos por eu ter feito o anterior. Uma das meninas mencionou que o curso de História seria uma de suas opções. Mas o que me chamou a atenção e fez desta uma oficina diferente, foi o nível de conhecimento deste grupo sobre história contemporânea, tanto brasileira quanto mundial. O aprofundamento no tema ditadura exige este conhecimento. Dali pra frente o assunto fluiu abertamente. Foi possível falar em guerra fira, em ditaduras sul-americanas, em Operação Condor, em Legalidade, discorrer sobre contextos da ditadura civil e militar brasileira, sempre com intervenções oportunas e interessadas dos integrantes do grupo. Fazíamos a oficina sobre o material de Eloy Martins e sua presença opositora em dois momentos ditatoriais de nossa história propiciou bons momentos de trocas de conhecimentos. Eloy conheceu e nos apresentou os porões do estado novo e da ditadura civil e militar. O assunto esteve o tempo todo instigante.

Desde que se abriu diante de mim a possibilidade de trabalhar com jovens dos ensinos fundamental e médio, abriu-se também a possibilidade de melhorar a desenvoltura com os mais jovens. Os pré vestibulandos me passam a sensação de momentos mais complicados, de maior intensidade, de maior dificuldade para este professor em primeiras viagens. Uma oficina de quatro integrantes é bem diferente de uma sala de aula com mais de trinta, soma-se a isso o convívio para o ano todo na contrapartida do encontro único da oficina. Talvez sobre essas características que vou me defrontar em sala de aula é que esteja o impulso de me remeter pro preferencial ensino fundamental. Ocorre que este primeiro contato com o ensino médio, com o terceiro ano, com estudantes que falam e ouvem e acrescentam convictos seus pontos de vista, foi de certa forma revelador, instigante pela abrangência que se fez possível na discussão. Já não tenho mais tanta certeza que vou dar preferência às aulas no ensino fundamental, este grupinho esclarecido do Colégio Godoy me faz repensar isto a todo momento.

E a melhor parte é ver o quanto são interessados, o quanto se surpreendem e o quanto ficam indignados com as desumanidades da tortura. Em instantes estão todos admirando aquelas pessoas pela coragem e obstinação, por entregarem a própria vida por um ideal, e a ligação dos tempos na referência às manifestações de maio deste ano é oportunizada. A história está acontecendo, a história nunca para de acontecer, e os estudantes percebem e se empolgam. E eu também. Tantos quantos estes jovens pré vestibulandos do Godoy, outras turmas, outras escolas, gratas surpresas, gratos convívios, que a cada oficina se renovam. Entendemos juntos que passado e presente tem ligação direta, que a memória nos enriquece e o conhecimento nos fortalece, que este passado recente e tão presente é digno de toda repulsa e de constante lembrança. Que venham 2014 e suas tantas oficinas, que venham desvendar nossos tesouros e nossas resistências.

Carlos Raimundo Pereira

Licenciando em História na UFRGS

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O ano em que meus pais saíram de férias – Dica de Filme

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Cartaz do Filme -Imagem 1

Cartaz do Filme

Filme - Imagem 3

O ano em que meus pais saíram de férias

Ambientado nos anos de 1970, o filme O ano em que meus pais saíram de férias nos conta fragmentos de histórias vívidas durante o período da Ditadura Militar a partir do olhar de um garoto de 12 anos, chamado Mauro.

Apaixonado por futebol, o de botão e o de várzea mesmo, Mauro não acompanhou as “férias” que seus pais viveram naqueles duros anos de repressão. No entanto, acompanhou a Copo do Mundo de 70 sob os cuidados de um vizinho (Shlomo) de seu avô que faleceu momentos antes de seus pais entrarem na clandestinidade.

Filme - Imagem 5

Mauro e o Futebol de botão.

Com a ajuda de Shlomo, de novos amigos e de sua paixão pelo futebol, Mauro enfrentou o drama da separação da família e a necessidade de, apesar disso, ser criança. Dentro e fora dele, passam-se as aventuras vividas em meio as suas novas companhias, como a de Hanna, a ansiedade pelo retorno dos pais, a Copa do Mundo, o combate à Ditadura e a repressão, na figura de seu novo amigo universitário Ítalo – que mais tarde conheceu a clandestinidade também.

Mauro e Ítalo.

Mauro e Ítalo.

De forma muito sensível, o filme retrata as mudanças vividas por muitas famílias durante o período que se seguiu ao ano de 1964: o exílio, dentro e fora do país vivido por pais, avós, filhos, irmãos, companheiros. E como relatou o diretor, é um filme sobre o exílio e sobre a necessidade humana de construir um lar apesar dele, onde quer que se esteja.

É claro que a gente não vai contar o final do filme…triste, lindo e emocionante o possível reencontro de Mauro com a família.

Mãe e Pai de Mauro: "Saindo de Férias"

Mãe e Pai de Mauro: “Saindo de Férias”

Outras informações:

De 2006, O Ano em que Meus País Saíram de Férias foi dirigido por Cao Hamburger, também roteirista junto de Adriana Falcão, Claudio Galperim, Bráulio Montovani e Anna Muylaert. No seu elenco encontramos Michel Joelsas, Germano haiut, daniela Piepszyk, Caio Blat e Paulo Autran. Foi indicado, pelo Ministério da Cultura, ao Óscar de 2007 como Melhor Filme Estrangeiro. Contou, em sua trilha sonora, com a canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, “Eu sou Terrível”.

Curiosidades:

Você sabia que inicialmente Roberto Carlos desautorizou o uso da música “Eu sou Terrível”? Possivelmente, isso ocorreu pela postura que Roberto sempre manteve de não associar sua trajetória musical a contextos da política brasileira. Segundo o diretor, a autorização somente foi possível após o envio do Longa para o cantor, que após assistir, não mais exitou em liberar a canção. E ela compõe o filme mesmo, em uma de suas cenas mais graciosas.

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Leia também uma excelente crítica do Jornal A Folha de São Paulo.

Assista aqui o filme!

Interações na Resistência: A produção dos estudantes durante as oficinas.

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Um dos objetivos do Programa de Educação Patrimonial é que os alunos possam, através da dinâmica de oficinas e do contato com documentos do tipo fontes primárias, estabelecer uma identificação, cultural e histórica.

Dentre uma série de atividades que o Programa desenvolve, encontramos a oficina de educação patrimonial para o Ensino Médio, denominada de Resistência em Arquivo. Após as atividades desenvolvidas antes da oficina na escola, e da dinâmica proposta pela oficina, pensamos em uma forma na qual os alunos pudessem nos retornar com suas impressões do trabalho pedagógico acerca das fontes sobre a resistência e a repressão na Ditadura Militar. Digamos que pensamos em uma espécie de “Bilhetinho”, no qual os alunos pudessem deixar por escritos alguns elementos que mais lhe marcaram no decorrer da atividade.

E são esses materiais deixados pelos alunos, “os bilhetinhos”, que compartilhamos hoje com vocês. Confere ai abaixo!

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45 anos do AI-5: A repressão também faz aniversário.

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Reunião que deu origem ao AI-S.

Reunião que deu origem ao AI-S.

Há 45 anos, em 13 de dezembro de 1968, numa sexta-feira, às 23h, o Ato Institucional nº 5 – o AI-5 – era anunciado em rede nacional de televisão e rádio pelo ministro da Justiça, Gama e Silva, e pelo locutor Alberto Curi no salão principal do Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Esse Ato suspendia o direito de habeas corpus, restringia os poderes do presidente, cassava os mandatos políticos, declarava fim da necessidade de investigação ou de inquérito para punição. E de todos os desmandos concebidos por ele, foi o fechamento do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas e das Câmaras de Vereadores as medidas que anunciaram o fechamento total do regime.

 Sem o direito de habeas corpus, os presos políticos se viram reféns dos militares e dos apoios civis que a ditadura recebia. Com o fechamento das

Jornal Última Hora noticia o Ato Institucional nº 5

Jornal Última Hora noticia o Ato Institucional nº 5

instituições políticas, a vida democrática institucionalizada, bem como a dos movimentos sociais, foi interrompidas. Foi o fechamento dos embates políticos democráticos prescritos por uma lei, foi a interrupção da participação na vida política de toda uma geração.

 Antes dele, por dentro ainda das instituições políticas, muitos foram os posicionamentos contrários aos cominhos que estavam sendo trilhados pelos militares.Dentro da própria Câmara de Deputados políticos ainda discursavam contra o regime.

Marcio Moreira Alves; foto de 12 de dezembro de 1968.

Marcio Moreira Alves; foto de 12 de dezembro de 1968.

 Um exemplo de vida política interrompida é a do já falecido deputado Marcio Moreira Alves, que, três meses antes do AI-5, realizou um discurso contrário ao governo militar:

é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia. (Discurso pronunciado em 2 de setembro de 1968.

Endurecimento do regime militar com o AI-5.

Endurecimento do regime militar com o AI-5.

 Por essa postura, o parlamentar foi alvo de investigação e inquérito. Houve até mesmo o pedido da cassação do seu mandato – fato não concretizado naquele momento, pois existiam muitos parlamentares descontentes com o rumo tomados pelos militares.

 Nesse sentido que podemos dizer que o AI5 assegurou o despotismo de uma ditadura que ainda sofria com a reação contrária de políticos, de personalidades e de movimentos sociais. Era a chegada de um período de intolerância total a qualquer tipo de resistência à Ditadura.

Saiba mais:

Os Atos Institucionais (AI’s) são normas elaboradas pelo governo militar, com apoio do Conselho de Segurança Nacional para implantação e estabelecimento da Ditadura Militar. Ao todo foram 17 atos institucionais que regularam a vida social e política do Brasil no periodo de 1964 a 1985. Você pode acessar o conteúdo de todos AI’s, no site do Planalto.

Confira ainda um site interativo montado pela Folha de São Paulo, onde é possível ver como foi implantado o Ato Institucional nº5. O site explora os personagens, o contexto, e uma linha do tempo que gira entorno do ato.

Desculpe a confusão: estamos de mudança! A Redemocratização nas ruas entre 1975 e 1988.

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Visitação do dias 11 de dezembro de 2013 a 12 de janeiro de 2014.

Visitação do dias 11 de dezembro de 2013 a 12 de janeiro de 2014.

Exposição organizada pela professora do Departamento de História da UFRGS, Carla Rodeghero e pelos historiadores Dante Guazzellie Gabriel Dienstamann, a exposição conta com fotografias, charges, cartazes e textos que “enfocam a retomada do espaço público como local de atuação política pelos movimentos sociais e de luta pela redemocratização do Brasil, a partir de 1975”.

Isso se ocorre por meio de trabalhos de Antonio Vargas, Daniel de Andrade, Eduardo Tavares, Luiz Abreu, Luiz Eduardo Achutti, Ricardo Chaves (fotógrafos) e de Edgar Vasques, Luis Fernando Veríssimo, Sampaulo e Santiago (chargistas).

O lançamento da exposição aconteceu no dia 10 de dezembro de 2013 na Sala dos Tesouros, do Memorial do Rio Grande do Sul, mas tu tens até o dia 12 de Janeiro para prestigiar esses quadros vivos de nossa história.

Confira lá na Rua Sete de Setembro, 1020 – Centro Histórico/ Porto Alegre

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