Sem vestígios; Como se constrói um torturador.

Sem vestígios; Como se constrói um torturador.

Seguindo com as nossas sugestões de leitura, hoje indicamos para vocês um livro chamado Sem Vestígios, um texto mergulhado na forma jornalística de escrever história. Escrito pela jornalista e pesquisadora Taís Morais, a obra conta a história de um agente secreto da ditadura militar brasileira.

O protagonista do livro chama-se Carioca, um homem que dedicou sua vida ao CIE – Centro de Informações do Exército. Ele tem sua identidade preservada na obra, o que, no entanto, não compromete a proposta da história, preocupada com a compreensão de questões como a tortura, a normalização da violência, a instrução militar e a vida na caserna.

Dentro dessa impressionante narrativa de Carioca, encontramos, por exemplo, a descrição de uma cena absurda na qual relata que seus colegas de trabalho almoçavam ao mesmo tempo em que outros colegas torturavam militantes. O livro nos mostra o dia a dia de um espião da Ditadura Militar, que aprende técnicas de espionagem e as aplica contra os militantes de esquerda. Enfim, a partir de tantas cenas, podemos perceber a ótica explorada pelo livro, aquela do lado da repressão política vista desde um agente direto da implantação da Ditadura. Nessa perspectiva, a obra trabalha com um contexto no qual foi possível construir tantos torturadores.

Recomendamos a leitura para aqueles que desejam conhecer um pouco do universo militar na época do golpe e da ditadura.

Saiba mais!!!

O processo de elaboração do livro começou no ano de 2003 quando a editora Geração Editoral recebeu pelo correio um pacote com uma série de documentos produzidos por um militar. Segundo o editor do livro “a pasta continha um conjunto de papeis manuscritos em forma de diário e alguns capítulos do que pretendia ser um livro… havia também algumas poucas fitas e recortes de jornal”. Esse material foi a base para que a Jornalista montasse a trajetória de um homem que ingressa na carreira militar, exercendo sua função em plenos “anos de chumbo”. O ex-militar é tratado no livro como “Carioca”, autor de revelações terríveis e impressionantes a respeito da formação, do trabalho e da vida de um militar na Ditadura Brasileira.

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