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O anticomunismo no cinema e na televisão – produções norte-americanas no Brasil

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Campanha Anticomunista

Seguindo a lógica da postagem anterior, queremos indicar hoje alguns filmes/desenhos produzidos nos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, no qual esse país e a URSS travaram uma guerra através da tecnologia, da cultura e da ideologia. Nesse contexto, o avanço tecnológico e a difusão ideológica eram as armas principais dessa guerra e serviam como termômetro do desempenho dos dois países.

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Campanha anticomunista

Falemos então do Brasil dos anos Pre Golpe, em meio a essa guerra entre as potências, que foi “influenciado” pelos EUA a tomar posição na Guerra Fria e que se utilizou de produções norte-americana para disseminar a ideologia anticomunista entre a população.
Dentre essas produções, podemos encontrar vários filmes que, como pano de fundo ideológico, difundem a ideia do “monstro vermelho”, na tentativa de afastar as pessoas dos ideais comunistas. Fica, portanto, evidente em muitos filmes a distorção e a manipulação de informações, de ideias e de projetos políticos na intenção de construir um imaginário anticomunista em meio a população.
Sobre esse assunto, indicamos dois títulos de filmes, baseado nessa conjuntura. São ótimos para serem trabalhados em sala de aula. Confere ai!

Filme X-Men

Filme X-Men

X-men: A primeira classe – Produzido por Matthew Vaughn em 2011, o filme se passa na década de 60, e conta a história de Charles e Erik, então diretores da escola de mutantes. Ele é o típico de filme, que tenta mexer com o imaginário, e falta de conhecimento histórico das pessoas. Colocando a origem dos personagens como pano de fundo para um ser do “bem” e o outro do “mau”.
Assista aqui o Trailer do filme!

Duck and Cover – Produzido um 1951 pela defesa civil dos Estados Unidos, um filme/propaganda, afirmava que

duck and cover

Duck and Cover

uma guerra nuclear poderia ocorrer a qualquer momento sem aviso. Focado no público infantil, a animação é produzida logo após os testes nucleares da antiga URSS.
Assista aqui essa animação!

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O espectro anticomunista ronda o Brasil – no contexto do Pré Golpe de 1964

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União Soviética dominando o mundo.

União Soviética dominando o mundo.

No dia de hoje, encerraremos a sequência de postagens do mês de fevereiro que se propôs a discutir o contexto do Pré Golpe no Brasil. Como fechamento da temática, achamos que não teríamos outro assunto melhor para trabalhar e para reforçar que o anticomunismo, como uma espécie de ideologia que perpassou por todas as outras postagens, seja pela pela aproximação dos ideários comunistas aos fatos que aconteceram ou seja pela acusação de que determinadas propostas políticas ou atividades estariam ligado ao ideário comunista.

Pensemos um pouco no contexto da bipolarização do mundo, na qual as propostas do trabalhismo no Brasil sofreu inúmeras acusações de aproximação com as políticas levadas a cabo pelos partidos comunistas na URSS e em Cuba. Por exemplo, muitos viam nas reformas de base propostas pelo governo e no próprio governo de Goulart, nesse contexto de divisão do mundo em áreas de influência, uma tentativa de transformar o Brasil em um país comunista – por isso também a necessária Campanha da Legalidade para garantir a posse do presidente de Jango. Pensemos também no quanto as atividades propostas e desenvolvidas pelos Centros de Cultura Popular e pelo Movimento de Educação Popular foram tomadas como subversivas de caráter comunista assim que Golpe ocorre e efetiva uma Ditadura no país.

Propaganda anticomunista.

Propaganda anticomunista.

Com isso, não queremos descartar que essa leitura de mundo, de forma de fazer política, de governar e de se viver em um país, uma sociedade organizada nos moldes do comunismo, não estivesse presente por dentro desses acontecimentos como algo real. Se por um lado sabemos que as bandeiras trabalhistas, como as reformas de base, em muito se distanciaram dos projetos levados a cabo pelos partidos comunistas em diversos países, por outro lado, podemos afirmar que na história dos Centros Popular de Cultura e do Movimento de Educação Popular, respeitando sua heterogeneidade, estavam presentes proposta ligadas às bandeiras comunistas.

Queremos dizer com isso que independente da ideia comunista ter se apresentado de forma real em muitas práticas e em muitos projetos políticos no Brasil, por outro lado foi criado no período Pre Golpe, além de uma deturpação das propostas comunistas, um sentimento de aversão e de medo entre a população, valendo-se para isso do discurso e de práticas que chamaremos de anticomunistas.

Propaganda anticomunismo.

Segundo Patto Sá Motta, a atuação de forças anticomunistas ao longo da história do Brasil, foi orquestrada tanto por grupos conservadores quanto por alas progressistas durante os períodos de colapso institucional da democracia em nosso país. E o que seria esse anticomunismo entendido de forma mais orgânica?

Para essa postagem, podemos dizer que o anticomunismo seria um conjunto de ideias, de correntes e tendências intelectuais que possuíam em comum a negação dos princípios e ideais do comunismo e a oposição a todo governo ou organização que desse suporte teórico ou prático a essa ideologia. Ainda em comum, os anticomunistas identificam no comunismo uma ameaça à propriedade privada e ao capitalismo

No Brasil e em muitos países da segunda metade do século XX, forças e projetos políticos anticomunistas levaram a cabo golpes militares e a implementação de ditaduras. Foi o que aconteceu por aqui em 1964, sob a égide de intensa propaganda, militares e civis, prenderam, torturaram e desapareceram diversos militantes da esquerda, identificando neles e nos seus projetos, ameaças a ordem e paz brasileiras.

Aqui no APERS, encontramos processos de indenização de muitos ex-presos políticos que eram comunistas ou que foram acusados de serem comunistas pelo Estado. Um deles é do Eloy Martins. Militante comunista desde a Era Vargas, Eloy, por continuar defendendo seus ideais comunistas, mesmo após ter sido seu partido colocado na ilegalidade, teve de se afastar da família e viver na clandestinidade. Adotou falsa identidade para poder trabalhar e para continuar divulgando a política de seu partido, o PCB. Não escapou da repressão, foi preso e torturado pela ditadura militar.

PCB, Eloy Martins e o AnticomunismoA história de Eloy é um dos muitos casos dessa repressão. Para além da ilegalidade do Partido Comunista e da repressão sofrida por seus militantes de forma direta pelo aparato policial, muitas outras estratégias foram utilizadas como forma de colocar tais ideais na marginalidade. Em outras palavras, para que a repressão aos militantes e às ideias comunistas fossem bem-sucedidas, o Estado necessitava do apoio popular e para isso não exitou e lançar mão de uma imensa propaganda anticomunista, que tinha como objetivo insuflar na população sentimentos de medo e de desprezo por essa bandeira política. Boa parte delas, imbuída de nacionalismo, chamavam o apoio da população para que o país não fosse invadido pelo “monstro” do comunismo. Para isso, os militares e os civis no poder também contaram com uma parte significativa da Igreja católica, que denunciava os “supostos” ateísmo e menosprezo pela instituição família defendidos pela ideologia comunista.

Segundo Oliveira, na sua resenha sobre a obra de Sá Motta, foi a interação das doutrinas católicas, nacionalistas e liberais que subsidiaram a cruzada anticomunista brasileira durante a Ditadura, com a constituição de imagens que caracterizavam o comunismo como “perigo vermelho”.

Por outro lado, transformar o mundo rumo à fraternidade universal, onde os trabalhadores não tivessem suas vidas cerradas por fronteiras nacionais e economias burguesas, de fato, eram projetos comunistas, que foram reais motivos de preocupação dos grupos anticomunistas. No sentido de agregar o real e o imaginário, Sá Motta descreve: “a ocorrência de manipulações foi um elemento constante na história do anticomunismo brasileiro. O terror anticomunista foi artificialmente insuflado, visando a obtenção de ganhos políticos, eleitorais e até pecuniários. Porém, isto não altera o fato de que muitos grupos e indivíduos anticomunistas agiam movidos por convicções ideológicas e não de forma oportunista”.

Dessa forma, encerramos o texto de hoje com o anticomunismo abrindo caminhos para o Golpe Militar de 1964, seja pelo que de real ameaça ou pelo que de imaginário construído havia no comunismo no Brasil do Pré Golpe.

Bibliografia:

A ideologia anticomunista no Brasil de Marcus Robertos de Oliveira, disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782004000200019

Anticomunismo na Enciclopédia Pública.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticomunismo

O Anticomunismo nas Forças Armadas de Celso Castro

http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/AConjunturaRadicalizacao/O_anticomunismo_nas_FFAA

Leitura recomendada:

SÁ MOTTA, Rodrigo Patto. 2002. Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). São Paulo: Perspectiva.

Os Centros Populares de Cultura no período Pré Golpe de 1964

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 Em meio às turbulências vividas na primeira metade dos anos 1960, tinha-se a impressão de que as tendências de esquerda estavam se fortalecendo na área cultural. O Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) encenava peças de teatro que faziam agitação e propaganda em favor da lut apelas reformas de base e satirizavam o “imperialismo” e seus “aliados internos”. (KONDER, L. História das ideias socialistas no Brasil).

Manifesto do Centro Popular de Cultura

Manifesto do Centro Popular de Cultura

Além das movimentações políticas, econômicas e sociais que envolveram o país e o mundo na segunda metade do século XX, como acompanhamos nas postagens anteriores, também de muita arte viveu o Brasil nos anos 60. No mesmo período de intensas mobilizações em torno da Legalidade e da garantia da posse do presidente João Goulart, ao mesmo tempo em que grupos sociais se organizavam para reivindicar reformas estruturais no país, artistas e intelectuais da esquerda construíram o Centro Popular de Cultura, com o objetivo de criar e de divulgar uma “arte popular revolucionária”.

 Associada à União Nacional dos estudantes – UNE, os CPCs surgiram na cidade do Rio de Janeiro, em 1961, e posteriormente foram se espalhando para outras cidades do país. Reuniram artistas de diversas áreas – como teatro, música, cinema, literatura – que acreditavam no caráter coletivo e didático da arte e no engajamento social e político dos artistas.

Centro Popular de Cultura e o Teatro

Centro Popular de Cultura e o Teatro

Segundo Kornis, o núcleo formador do Centro foi constituído por Odulvado Viana Filho, pelo cineasta Leon Hirszman e pelo sociólogo Carlos Estevam Martins. Os princípios do projeto foram expostos no “Ante projeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura”, redigido e divulgado no ano de 1962. Apesar de não termos encontrado disponível o manifesto na íntegra, as referências utilizadas para a construção dessa postagem nos remontam a uma compreensão de que a arte do povo seria “de ingênua consciência”, sem outra função senão “a de satisfazer as necessidades lúdicas e de ornamento”. Segundo os integrantes, o CPC, nesse caso, “pretendia tirá-las da alienação e da submissão”, partindo da leitura de que as manifestações culturais deveriam ser compreendidas “sob a luz de suas relações com a base material” e nunca como “uma ilha incomunicável e independente dos processos materiais. Em outras palavras, defendiam que a “arte só irá onde o povo consiga acompanhá-la, entendê-la e servir-se dela”.

Centro Popular de Cultura

(LP) O Povo Canta

 O CPC travava uma importante batalha na qual acretiva estar ao lado do povo a arte comprometida em debater os problemas reais das gentes reais do país. Para o grupo, o diálogo com o cotidiano, com as culturas populares, com as lutas do povo e suas múltiplas manifestações deveria ser o ponto de partida e o de chegada das criações artísticas – para eles, a chegada estaria caracterizada pela transformação da inicial “ingênua consciência”, dai o caráter engajado da concepção no combate à opressão e à exploração. No período de sua breve existência, entre o início dos anos 60 e o Golpe Militar em 1964, o CPC promoveu a encenação de peças de teatro em portas de fábricas, nos sindicatos e nas ruas de várias cidades e em áreas rurais do Brasil.

 Segundo Kornis, O teatro da UNE, com a apresentação da peça Os Azeredos mais os Benevides, de Oduvaldo Viana Filho, foi inaugurado às vésperas da derrubada do presidente João Goulartpelos militares, em 31 de março de 1964. Nos primeiros dias de abril, a sede da UNE foi incendiada e todos os CPCs foram fechados.

Música e o CPC

(LP) O Povo Canta

No entanto, apesar do fechamento do CPC, da prisão ou exílio de artistas e intelectuais ligados ao Centro, não há dúvidas de que suas propostas influenciaram as diversas manifestações artísticas das décadas posteriores. A possibilidade de vincular a arte às questões políticas vividas por nossa sociedade nos diversos períodos históricos posteriores, contribui para a valorização da cultura popular brasileira nas suas diferentes produções.

Curiosidades!!!

Entre dezembro de 1961 e dezembro de 1962, o CPC produz as peças Eles não usam black-tie, de Guarnieri, e A Vez da Recusa, de Carlos Estevam; o filme Cinco Vezes Favela, composto por cinco episódios, com a direção de Joaquim Pedro de Andrade, de Marcos Faria, Cacá Diegues, Miguel Borges e Leon Hirszman. Publicou a coleção Cadernos do Povo e a série Violão de Rua, das quais participam Moacir Félix, Geir Campos e Ferreira Gullar.

Promoveu também a venda de livros a preços populares e foi pioneiro na realização de filmes auto-financiados; a edição da coleção Cadernos Brasileiros e a Revista Civilização Brasileira, editadas por Ênio Silveira, e a História Nova, organizada por Nelson Werneck Sodré; cursos de teatro, cinema, artes visuais, filosofia e a UNE-Volante, um grupo itinerante que realizava excursões pelas capitais do país para contatos com as bases universitárias, operárias e camponesas; oficinas de literatura de cordel que contaram com a participação de Félix de Athayde e de Ferreira Gullar; o projeto do teatro de rua, de Carlos Vereza e João das Neves, assim como o teatro camponês, de Joel Barcelos, que pretendiam levar a arte ao povo, nos locais de trabalho, moradia e lazer; feiras de livros acompanhadas de shows de música, para os quais convidaram os “sambistas do morro”, então desconhecidos do público, como Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Cartola, e Vinícius de Morais, autor do Hino da UNE; aulas de teatro, com a adesão Paulo Francis; e, por fim, atividades ligadas à artes plásticas, com Júlio Vieira, Eurico Abreu e Carlos Scliar.

Referência:

– Centro Popular de Cultura – Wikipedia.

– Mônica Almeida Kornis, Centro Popular de Cultura. Confira na integra o texto publicado no portal da Fundação Getúlio Vargas.

– KONDER, L. História das ideias socialistas no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2003.

Para saber mais…

Livro Manoel T. Berlink

Livro Manoel T. Berlink

– Livro de l T. Berlinck, Centro Popular de Cultura da UNE, disponível em PDF.

– Carla Michele Ramos. O papel dos artistas e intelectuais do Centro Popular de Cultura (1961-1964) na construção de uma nova sociedade.

Movimento de Educação Popular no contexto do Pré Golpe de 1964

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Movimento de Educação Popular

Movimento de Educação Popular

Na postagem anterior, discutimos um pouco da criação e dos trabalhos desenvolvidos pelos Centros Populares de Cultura (CPC) no contexto do Pré Golpe e da repressão sofrida por eles já no início da Ditadura Militar. Agora vamos discutir um pouco sobre os movimento de alfabetização de adultos surgidos na segunda metade do século XX.

Nos de 1960, o Brasil contava com uma imensidão de jovens e de adultos analfabetos. A constituição de 1946, ainda em vigor na época, proibia o analfabeto de votar, negando a eles participação importante na vida política do país e privando-lhes do exercício de uma plena cidadania. Nesse contexto, a alfabetização popular passou a ser entendida como um instrumento de luta política e de valorização da cultura popular. Movimentos e iniciativas voltadas para a alfabetização de adultos começaram a surgir dentro de uma concepção de transformação da realidade social.

ampanha de Pé no Chão também se aprende a Ler em Natal no Rio Grande do Norte

ampanha de Pé no Chão também se aprende a Ler em Natal no Rio Grande do Norte

Dentre essas iniciativas, encontramos dede o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Recife em Pernambuco, a Campanha de Pé no Chão também se aprende a Ler em Natal no Rio Grande do Norte, o Movimento de Educação de Base (MEB ligado à Igreja Católica, os Centros Populares de Cultura (CPC’s) até a política de educação popular do governo João Goulart, liderada e organizada pelo educador Paulo Freire por meio do Plano Nacional de Alfabetização (PNA).

No entanto, já no Governo Goulart, período de intensa luta política, as intenções de modificar as estruturas da sociedade brasileira estavam em disputas entre setores sociais antagônicos. Movimentos sociais, cada vez mais organizados, reivindicavam soluções para as profundas desigualdades sociais no país. Todo esse cenário foi percebido pelos setores conservadores, assim como foi percebido no método Paulo Freire, incorporado como política pública do Governo Federal, uma ameaça ao status quo vigente. Nesse momento, tais iniciativas de alfabetização passaram a ser vistas como ameaças reais às sólidas estruturas de uma sociedade desigual;

Paulo Freire e o Plano Nacional de Alfabetização

Paulo Freire e o Plano Nacional de Alfabetização

Já, logo após o Golpe, muitos dos militantes e dos coordenadores que participavam dos projetos foram presos e perseguidos. Para população, os militares pretendiam provar o quão subversiva eram aquelas práticas educacionais. Os trabalhos foram interrompidos de forma autoritária e os locais destinados aos projetos forma fechados. Ao combate ao analfabetismo foi delegado um espaço meramente técnico dentro da nova política implementada pela Ditadura. Para ela, a alfabetização não deveria ter relação com a política e muito menos coordenada por grupos de esquerda. Segundo Teixeira, “numa época em que o debate político estava suspenso para as classes populares, um método de alfabetização baseado justamente na discussão política, não se encaixava no modelo educacional preconizado pelo regime militar”. Dessa forma, teve fim, grandes iniciativas de educadores, de movimentos sociais e de projetos políticos que se propuseram, nos anos 60, a resolverem o problema do analfabetismo no Brasil, alfabetizando adultos a partir de discussões da sua própria condição e realidades sociais. 

Para aprofundarmos mais o assunto, vamos sugerir a leitura de um artigo do professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Wagner da Silva Teixeira. Intitulado Quando ensinar a ler virou subversão: a ditadura e o combate ao combate do analfabetismo, o texto é uma parte da tese de doutorado, “Educação em Tempos de Luta: História dos movimentos de educação e cultura popular (1958-1964)”, na qual o pesquisador centra sua análise no porque e no quanto as forças repressivas atuaram contra uma das mais ricas e fecundas experiências de alfabetização de adultos no país.Confira aqui o artigo na integra!

Um Cabra Marcado pra Morrer – Indicação de filme.

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Um Cabra Marcado pra Morrer - Eduardo Coutinho

Um Cabra Marcado pra Morrer – Eduardo Coutinho

Nesta postagem abordaremos aspectos do filme “Um Cabra marcado para morrer”, filme que começou a ser produzido na “época de ouro” dos centros de cultura.

O Filme conta a história de João Pedro Teixeira e sua esposa Elisabete e de como tais personagens estavam inseridos diretamente na articulação da Liga Camponesa de Sapé na Paraíba. O filme contextualiza a luta do povo pelos direitos sociais, pelo acesso à terra e à participação política. Essa indicação é para conhecermos melhor a realidade das resistências no sertão brasileiro, retratado pela lente dos Centros de Cultura, inicialmente.

IlustraçãoEduardoCoutinhoLatuffFev2014

Ilustração Eduardo Coutinho, por Latuff

A película foi dirigida pelo reconhecido e conturbado Eduardo Coutinho e produzida pelo Centro Popular de Cultura (CPC) e Movimento de Cultura Popular de Pernambuco (MPC). Sua filmagem foi interrompida pelo golpe militar de 1964, que pôs fim aos trabalhos de produção de toda a equipe, colaboradores que, em sua maioria, foram perseguidos depois da tentativa de rodar um filme sobre a história da luta contra o latifúndio.

O filme “Cabra Marcado para morrer”, que começou a ser rodado em 1962, só foi lançado em 1984, com o fim da Ditadura. O filme conta ainda conta com a narração de Ferreira Gullar.

Assista aqui Um Cabra Marcado pra Morrer !

 

Curiosidade!!!!

Você sabia que Um Cabra Marcado pra Morrer foi ganhador de inúmeros prémios nacionais e internacionas concedidos às produções cinematográfica?

Vejamos: Prêmio Gaivota de Ouro no Festival Internacional de Cinema (1984, RJ); Prêmio Tucano de Ouro no Festival Internacional de Filme e Vídeo (1984, RJ); Melhor Documentário no Festival de Havana (1984, Havana – CU); Grande Prêmio no Festival de Tróia (1985 – PT); Prêmio Especial do Júri no Festival de Salsa (IT); Grande Prêmio no Festival de Cine Realidade (1985, Paris – FR); Prêmio no Festival Georges Pompidou (1985 – FR); Prêmio do Júri Evangélico, Crítica Internacional, Associação Internacional dos Cinemas de Arte e Fórum de Cinema Jovem no Festival de Berlim (1985, Berlim); Prêmio Air France (1985); e Golfinho de Ouro do Cinema do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Resistência em Cordel: Ligas Camponesas e os Centros de Cultura.

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A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB

Como vimos em outro post, surgiram na década de 60 muitas iniciativas em torno da alfabetização de adultos e da criação cultural em meio e em diálogo com a cultura popular. Tais movimentos ampliaram a possibilidade da escrita e da expressão dos modos de vida e da arte criados pelo povo. E daí que chegamos no cordel, escrito a partir da cultura oral que é passada de geração em geração entre as famílias nordestinas.

João Pedro; Pelo Artista Gentileza

João Pedro; Pelo Artista Gentileza

Os cordéis falam de tudo, do dia a dia, dos amores, das aventuras e inclusive de política e perseguição. As ligas camponesas utilizavam muito da literatura de cordel para concientizar os trabalhadores do campo de seus direitos.

E esse cordel que compartilharemos hoje, “A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB”, conta um pouco da história trabalhada no filme que também indicamos nessa semana.

A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB

Francisco Diniz
A Cultura do Cordel
A Cultura do Cordel
Eu vou contar uma história
Que no Nordeste ocorreu,
Nas terras da Paraíba
Foi onde se sucedeu
A luta de um povo pobre
E de um líder que morreu.
No ano 59, (1959)
Na cidade de Sapé,
No solo paraibano,
Terra de gente de fé,
Surgiu uma Liga Camponesa,
Preste atenção, se puder:
Foi João Pedro Teixeira
O idealizador,
Que sonhava com um mundo
Onde reinasse o amor
Com fartura e justiça
Para o trabalhador.
[…]
Assim a referida Liga
No Nordeste era a maior,
Cerca de 7 mil sócios,
Ninguém se sentia só
E como organização
Não podia ser melhor.
Cordel de denúncia
Cordel de denúncia
Isso para o latifúndio
Incomodava demais,
Que usou de violência
Explícita e contumaz
Roubando o trabalhador
Sua vida ou sua paz.
Jamais João Pedro Teixeira
Veio a se intimidar,
Enfrentou as ameaças,
Nunca se deixou levar
Por quem queria comprá-lo
Pra ele poder calar.
Ele pregava também
A desapropriação
Das terras, pra que o humilde
Saísse da submissão
Que era aquela vida
Quase uma escravidão.
O poder reagiu logo
Sem dó e sem piedade,
Mandou matar João Pedro,
Ação de grande ruindade,
Exterminando um homem
Que só falava em bondade.
[…]
No dia desse protesto
Uma equipe là chegou,
Gupo Cultura da UNE
Que um filme idealizou,
Cabra Marcado Pra Morrer,
Assim a turma o chamou.
Em janeiro, 64 (1964)
O filme ia ser rodado,
Mas devido a um conflito,
Onde seria gravado,
Quem foi João Pedro.

Quem foi João Pedro.

11 pessoas morreram.

O lugar foi ocupado…

Deseja saber como continua essa história, clique aqui e veja na íntegra o cordel!!!

Curiosidades!!!!

A literatura de cordel, uma expressão genuinamente popular, criada por gente humilde nos sertões e cidades da Paraiba e de outros estados do Nordeste, é chamado de cordel porque muitas vezes seus autores expõem os trabalhos literários em varais (cordas, cordéis) a céu aberto .

Campanha da Legalidade

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Brizola e Machado discutem a articulação: Exército x Política

Brizola e Machado discutem a articulação: Exército x Política

A Campanha da Legalidade foi um movimento liderado pelo governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola e tinha como objetivo garantir a posse de João Goulart como Presidente da República após a renúncia de Jânio Quadros, candidato da União Democrática Nacional (UDN) que iniciou seu mandato em 31 de janeiro de 1961. Durante os poucos meses de gestão, Jânio Quadros adotou uma política econômica e externa que não agradou aqueles que o apoiavam, inclusive setores das Forças Armadas e alguns seguimentos sociais e, desta forma, renunciou em 25 de agosto de 1961. Neste dia João Goulart (Jango) estava em visita à China.

noticia brizola 2A posse Jango, vice-presidente eleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), não teve aceitação por parte dos ministros militares, grupos políticos conservadores e pelas classes dominantes. Segundo estes, mesmo legítima, a posse de Jango colocaria em risco a segurança nacional, pois sua figura representava a ameaça de instalação do regime comunista no Brasil. O político Carlos Lacerda, líder da UDN, era figura de destaque deste grupo. Foi então que Leonel Brizola iniciou um movimento de resistência, chamado Campanha da Legalidade, que defendia a manutenção da ordem jurídica, ou seja, a posse de Jango.

Brizola é recebido pelo povo no Palácio Piratini.

Brizola é recebido pelo povo no Palácio Piratini.

Brizola instaurou a rede da legalidade onde através da Rádio Guaíba, num estúdio montado nos porões do Palácio Piratini ele se comunicava e mobilizava a população gaúcha. Em pouco tempo os discursos a favor da legalidade alcançaram o estado de Santa Catarina, através da Rádio Clube Blumenau e o estado de Goiás através da Rádio Brasil Central instalada no Palácio das Esmeraldas em Goiânia. Ao todo a rede da legalidade alcançou mais de cem emissoras em todo o país.

O clima se tornava a cada dia mais tenso. O Ministério da Guerra ordenou que a unidade localizada na cidade de Canoas bombardeie o Palácio Piratini. Porém, os militares comandados por Machado Lopes colocaram-se contrários a esta medida devido às graves consequências que esta manobra traria visto que havia uma grande concentração de pessoas em frente do Palácio.

Brizola inspeciona armas

Brizola inspeciona armas

A partir deste momento,  Machado Lopes e outros comandantes militares manifestaram seu apoio aos legalistas e ingressam na Campanha. Foram doze dias de resistência e tensão onde a Brigada Militar, mobilizada por Brizola, se posicionou frente ao Palácio Piratini para defendê-lo.

No início de setembro de 1961, foi aprovada a Emenda Constitucional Nº 4 que alterou o regime de governo brasileiro para o parlamentarismo. Esta normativa impedia que João Goulart tivesse plenos poderes e estes se limitavam a os de um chefe de estado e não de governo. Desta forma, os militares aceitaram que Jango ocupasse o cargo de Presidente de República e ele tomou posse em 07 de setembro de 1961.Brizola recebe Jango

Recentemente os porões do Palácio Piratini foram revitalizados e o local de onde Brizola transmitia seus discursos recebeu o nome de Memorial da Legalidade. É possível agendar visitas guiadas no Palácio onde o Memorial é parte do roteiro.

Saiba Mais: Memorial da Legalidade recebe visita de internos da FASE.

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