Sendo o Trabalhismo uma ideologia interpretada por muitos conservadores de direita como sendo “comunista”, seus militantes, apoiadores e simpatizantes passaram a ser identificados como perigosos ao regime vigente no Brasil dos anos de 1960. As propostas defendidas pelo então presidente João Goulart ou pelo político Leonel Brizola era vistas como esquerdizantes, levando o país para o caminho do comunismo.

Nesse sentido, muitos trabalhistas foram, com o golpe de 1964, perseguidos, torturados, expurgados, cassados. E muitos desses casos podem ser conhecidos e estudados a partir dos processos de indenização gerados a partir dos trabalhos da Comissão Especial de Indenização (CEI), acervo esse que como já dissemos, está salvaguardado no Arquivo Público. Muitos trabalhistas históricos, que lutaram ao lado de Jango e Brizola, ou seus familiares, entraram com pedido de indenização por danos sofridos no período da ditadura. Trazemos hoje como exemplo o processo de João Pedro Emílio Neme.

Neme era oficial da Brigada e braço direito de Leonel Brizola, quando esse liderou a Campanha da Legalidade, realizada em 1961 para garantir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros. Os militares e parte da direita, já preocupados com o “perigo vermelho”, acreditavam que se Jango assumisse levaria o Brasil rapidamente para a órbita da União Soviética e da China, também comunista, e queriam impedir que se cumprisse as determinações constitucionais, que previam, que o vice-presidente deveria assumir com a renúncia ou deposição do presidente eleito. A Campanha da Legalidade, construída especialmente por Trabalhistas com o apoio de militares e brigadianos legalistas, foi radiodifundida através da voz de Brizola na Rádio da Legalidade, e Emílio Neme teve um papel fundamental nesse processo.

Tendo esse histórico de defesa da legalidade e dos ideais trabalhistas, quando em 1964 ocorre o golpe, Neme passa a ser perseguido sistematicamente, sendo expulso da Brigada Militar gaúcha, sendo preso em diversas oportunidades, e obrigando-se a afastar-se de muitos amigos, familiares e companheiros de trabalho e de luta política – situação que se expressa de maneira pormenorizada através de seu processo de indenização. Hoje esse documento é um dos processos utilizados na oficina Resistência em Arquivo, sendo debatido com estudantes do Ensino Médio em cada oficina realizada.

Confira abaixo parte do documento digitalizado, e saiba que no acervo da CEI está o registro de muitas outras histórias de Trabalhistas que vivenciaram os anos de ascenso das lutas populares no governo de João Goulart, e que depois sentiram na pele as agruras da ditadura civil militar brasileira.

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