Movimento de Educação Popular

Movimento de Educação Popular

Na postagem anterior, discutimos um pouco da criação e dos trabalhos desenvolvidos pelos Centros Populares de Cultura (CPC) no contexto do Pré Golpe e da repressão sofrida por eles já no início da Ditadura Militar. Agora vamos discutir um pouco sobre os movimento de alfabetização de adultos surgidos na segunda metade do século XX.

Nos de 1960, o Brasil contava com uma imensidão de jovens e de adultos analfabetos. A constituição de 1946, ainda em vigor na época, proibia o analfabeto de votar, negando a eles participação importante na vida política do país e privando-lhes do exercício de uma plena cidadania. Nesse contexto, a alfabetização popular passou a ser entendida como um instrumento de luta política e de valorização da cultura popular. Movimentos e iniciativas voltadas para a alfabetização de adultos começaram a surgir dentro de uma concepção de transformação da realidade social.

ampanha de Pé no Chão também se aprende a Ler em Natal no Rio Grande do Norte

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Dentre essas iniciativas, encontramos dede o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Recife em Pernambuco, a Campanha de Pé no Chão também se aprende a Ler em Natal no Rio Grande do Norte, o Movimento de Educação de Base (MEB ligado à Igreja Católica, os Centros Populares de Cultura (CPC’s) até a política de educação popular do governo João Goulart, liderada e organizada pelo educador Paulo Freire por meio do Plano Nacional de Alfabetização (PNA).

No entanto, já no Governo Goulart, período de intensa luta política, as intenções de modificar as estruturas da sociedade brasileira estavam em disputas entre setores sociais antagônicos. Movimentos sociais, cada vez mais organizados, reivindicavam soluções para as profundas desigualdades sociais no país. Todo esse cenário foi percebido pelos setores conservadores, assim como foi percebido no método Paulo Freire, incorporado como política pública do Governo Federal, uma ameaça ao status quo vigente. Nesse momento, tais iniciativas de alfabetização passaram a ser vistas como ameaças reais às sólidas estruturas de uma sociedade desigual;

Paulo Freire e o Plano Nacional de Alfabetização

Paulo Freire e o Plano Nacional de Alfabetização

Já, logo após o Golpe, muitos dos militantes e dos coordenadores que participavam dos projetos foram presos e perseguidos. Para população, os militares pretendiam provar o quão subversiva eram aquelas práticas educacionais. Os trabalhos foram interrompidos de forma autoritária e os locais destinados aos projetos forma fechados. Ao combate ao analfabetismo foi delegado um espaço meramente técnico dentro da nova política implementada pela Ditadura. Para ela, a alfabetização não deveria ter relação com a política e muito menos coordenada por grupos de esquerda. Segundo Teixeira, “numa época em que o debate político estava suspenso para as classes populares, um método de alfabetização baseado justamente na discussão política, não se encaixava no modelo educacional preconizado pelo regime militar”. Dessa forma, teve fim, grandes iniciativas de educadores, de movimentos sociais e de projetos políticos que se propuseram, nos anos 60, a resolverem o problema do analfabetismo no Brasil, alfabetizando adultos a partir de discussões da sua própria condição e realidades sociais. 

Para aprofundarmos mais o assunto, vamos sugerir a leitura de um artigo do professor da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Wagner da Silva Teixeira. Intitulado Quando ensinar a ler virou subversão: a ditadura e o combate ao combate do analfabetismo, o texto é uma parte da tese de doutorado, “Educação em Tempos de Luta: História dos movimentos de educação e cultura popular (1958-1964)”, na qual o pesquisador centra sua análise no porque e no quanto as forças repressivas atuaram contra uma das mais ricas e fecundas experiências de alfabetização de adultos no país.Confira aqui o artigo na integra!

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