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A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB

Como vimos em outro post, surgiram na década de 60 muitas iniciativas em torno da alfabetização de adultos e da criação cultural em meio e em diálogo com a cultura popular. Tais movimentos ampliaram a possibilidade da escrita e da expressão dos modos de vida e da arte criados pelo povo. E daí que chegamos no cordel, escrito a partir da cultura oral que é passada de geração em geração entre as famílias nordestinas.

João Pedro; Pelo Artista Gentileza

João Pedro; Pelo Artista Gentileza

Os cordéis falam de tudo, do dia a dia, dos amores, das aventuras e inclusive de política e perseguição. As ligas camponesas utilizavam muito da literatura de cordel para concientizar os trabalhadores do campo de seus direitos.

E esse cordel que compartilharemos hoje, “A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB”, conta um pouco da história trabalhada no filme que também indicamos nessa semana.

A história de João Pedro Teixeira, de sua esposa Elisabete e da Liga Camponesa de Sapé-PB

Francisco Diniz
A Cultura do Cordel
A Cultura do Cordel
Eu vou contar uma história
Que no Nordeste ocorreu,
Nas terras da Paraíba
Foi onde se sucedeu
A luta de um povo pobre
E de um líder que morreu.
No ano 59, (1959)
Na cidade de Sapé,
No solo paraibano,
Terra de gente de fé,
Surgiu uma Liga Camponesa,
Preste atenção, se puder:
Foi João Pedro Teixeira
O idealizador,
Que sonhava com um mundo
Onde reinasse o amor
Com fartura e justiça
Para o trabalhador.
[…]
Assim a referida Liga
No Nordeste era a maior,
Cerca de 7 mil sócios,
Ninguém se sentia só
E como organização
Não podia ser melhor.
Cordel de denúncia
Cordel de denúncia
Isso para o latifúndio
Incomodava demais,
Que usou de violência
Explícita e contumaz
Roubando o trabalhador
Sua vida ou sua paz.
Jamais João Pedro Teixeira
Veio a se intimidar,
Enfrentou as ameaças,
Nunca se deixou levar
Por quem queria comprá-lo
Pra ele poder calar.
Ele pregava também
A desapropriação
Das terras, pra que o humilde
Saísse da submissão
Que era aquela vida
Quase uma escravidão.
O poder reagiu logo
Sem dó e sem piedade,
Mandou matar João Pedro,
Ação de grande ruindade,
Exterminando um homem
Que só falava em bondade.
[…]
No dia desse protesto
Uma equipe là chegou,
Gupo Cultura da UNE
Que um filme idealizou,
Cabra Marcado Pra Morrer,
Assim a turma o chamou.
Em janeiro, 64 (1964)
O filme ia ser rodado,
Mas devido a um conflito,
Onde seria gravado,
Quem foi João Pedro.

Quem foi João Pedro.

11 pessoas morreram.

O lugar foi ocupado…

Deseja saber como continua essa história, clique aqui e veja na íntegra o cordel!!!

Curiosidades!!!!

A literatura de cordel, uma expressão genuinamente popular, criada por gente humilde nos sertões e cidades da Paraiba e de outros estados do Nordeste, é chamado de cordel porque muitas vezes seus autores expõem os trabalhos literários em varais (cordas, cordéis) a céu aberto .

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