Quando falamos em mídia, falamos da mídia impressa (jornais, tabloides e revistas), mídia falada (rádio e música) e televisiva (TV e Cinema). Se pensarmos no contexto da década de sessenta os principais meios de comunicação ainda eram o jornal e o rádio. O rádio, com suas ondas longas e curtas, era a mídia mais transmitida e de longo alcance. Os jornais podiam representar posições contrárias ou favoráveis ao governo, e relatavam também o dia a dia. A influência da mídia na sociedade era e é visível, exercida sobre nossos modos de vestir, falar, se relacionar, pensar e agir no mundo.

A chegada do aparelho televisor é uma novidade para o Brasil da década de cinquenta, que a partir de então passa lentamente a conhecer uma vida regulada pela televisão e suas publicidades. Nos anos de 1960 a opção pelo cinema ainda era mais barata, se comparada ao valor para a aquisição de um televisor, além de ser uma mídia excelente se comparada ao jornal impresso, para um país com alto índice de analfabetismo. Neste sentido, os Cinejornais produzido pela Agência Nacional (criada por Getúlio Vargas e regulada pelos governos que o sucederam) se transformaram em um eficiente mecanismo de marketing político e difusão das ideias de governo, ao serem transmitidos de forma obrigatória antes das sessões de cinema longa-metragem no país. O Partido Trabalhista Brasileiro utilizou muito o Cinejornal para propagar seu plano de governo e as Reformas de Base, como já vimos em postagens anteriores.

Com o golpe civil militar de 1964 as mídias viram cerceada a liberdade de imprensa. A lógica da bipolaridade invade o universo da comunicação no Brasil, ficando de um lado as mídias que apoiava o Golpe, tinham guarida legal e muitas vezes apoio econômico para operar, e de outro as mídias que eram contráriaà ditadura. A censura perseguia de forma implacável os jornais que eram contrários ao regime militar, como o Última Hora, que chegou a ser fechado. Por outro lado, jornais como A Folha da Tarde, que apoiaram o golpe tinham até mesmo policiais escrevendo e trabalhando na redação, cresceram muito no período. Como afirma João Amado em artigo para o Observatório da Imprensa, “A maior parte da grande imprensa participou do movimento que derrubou o Presidente João Goulart e foi, sem dúvida, um dos vetores de divulgação do fantasma do comunismo, que foi utilizado como uma das justificativas para derrubada do governo”. A resistência na imprensa ficou muitas vezes a cargo da imprensa alternativa, geralmente vinculadas à organizações de esquerda e a núcleos de intelectuais que se uniam no intendo de expressar a oposição ao regime. São exemplos jornais como O Pasquim, Coojornal, Opinião, Em Tempo, Movimento, Novos Rumos.

A grande maioria dos jornais de grande circulação apoiou o golpe em 1964, e boa parte deles seguiu apoiando o regime. Porém, alguns mudaram sua linha editorial e depois de algum tempo passaram a fazer críticas aos militares no poder, como foi o caso do jornal Correio da Manhã, seja pelas constantes denúncias de tortura feitas desde o exterior e mesmo de dentro do país, seja pela própria censura. Além disso, muitas mídias de porte eram editorialmente alinhadas à ditadura, mas possuíam em suas fileiras jornalistas engajados, que em determinados momentos conseguiram publicar conteúdos de crítica ao regime.

A partir dessa panorama, indicamos esta semana um vídeo que retrata o primeiro aniversário da “Revolução” (golpe) de 1964, reportagem do Cinejornal Informativo exibido em vários cinemas pelo Brasil. 

Fim!

 

 

Assista ao vídeo. Clique aqui

 

 

TV Tupi

TV Tupi

Indicamos também as bases de dados para muitos vídeos, para que você possa pesquisar mais sobre a imprensa brasileira! O primeiro site é da Cinemateca Brasileira, base que conserva em formato digital as reportagens e filmagens da TV Tupi (clique aqui) das décadas de 1950 a 1980. O outro site é uma base de dados do Arquivo Nacional, onde tu podes pesquisar sobre o Cine Jornal e os informativos da Agência Nacional (clique aqui). Utilize verbetes relacionados ao contexto da época, como “revolução,revolucao,revoluc”; “subversivos”; “Dops”; “censura”, para pesquisar sobre temas relacionados a esse assunto.

Veja Ainda:

– Você sabia? Que a Rede Globo de Televisão nasceu no ano de 1965, e que hoje assume que apoiou a ditadura? Confira clicando aqui.

– “Canal 100 e a Construção do Imaginário”: artigo sobre os cinejornais no contexto da Ditadura. Confirma clicando aqui.

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