Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernades

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernades

Propondo-nos a abordar a questão da censura durante a Ditadura Civil Militar no Brasil, apresentamos a música Pequeno Mapa do Tempo, de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernades). Belchior estudou piano e música coral, sendo também programador da rádio da sua cidade natal. Em 1962, mudou-se para Fortaleza onde estudou Filosofia e Humanidades. Começou a estudar Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística, tornando-se um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB).

Clique aqui e ouça a música, direto do YouTube.

O medo anda por dentro do teu coração

“O medo anda por dentro do teu coração[…]”

Apresentamos também o processo de censura da canção (clique aqui), que só foi lançada muitos anos depois de ser escrita, com o fim da Ditadura. Pequeno Mapa do Tempo foi interditada pela “Divisão de Censura e Diversões Públicas”, tendo diversas estrofes consideradas “proibidas”. Os censores afirmam, no parecer assinado em 29 de março de 1977, que a música contém mensagens de protesto político, que questionam a realidade sócio-econômica e política do país. No documento assinado por dois censores, observa-se que outras canções do Belchior também são vetadas, todas por apresentarem “conteúdo de insatisfação e crítica ao regime vigente”.

Pequeno Mapa do Tempo
Belchior

Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião

Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão

Medo, medo. medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo que Belo Horizonte
Eu tenho medo que Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal, Vitória
Eu tenho medo Goiânia, Goiás

Eu tenho medo Salvador, Bahia
Eu tenho medo Belém do Pará
Eu tenho medo pai, filho, Espírito Santo, São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A

Eu tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará

Medo, medo. medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo

Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, no Piauí

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