O Trabalhismo de Brizola; Moniz Bandeira

O Trabalhismo de Brizola; Moniz Bandeira

Esta semana nos propomos a falar sobre Organizações Partidárias, mas apara isso é preciso entende um pouco do período que antecede o Golpe Militar e os atos institucionais que limparam a política da ação de determinados partidos e cria o sistema Bipartidarista (Apenas dois partidos). Para isso indicamos também a leitura do livro “O Trabalhismo de Brizola de Moniz Bandeira”, escrito através de entrevistas que o autor fez com um dos fundadores do PTB, então exilado, Leonel de Moura Brizola. O Livro fala não só da criação do PTB-RS mas também da relação que esse manteve com os outros partidos tanto em âmbito local como nacional. O livro mostra como foi o inicio do primeiro diretório do PTB-RS onde Brizola e outros partidários percorriam as ruas em busca de novos associados e militantes. Essa nova maneira de se organizar deu ao PTB uma carga diversificada de parlamentares que defendiam o trabalhismo como solução política.

Antes do Golpe Militar aqueles que queriam se organizar, politicamente, encontrariam os seguintes partidos: O PSD (Partido Social Democrata), antigo partido de Getúlio Vargas; o PTB(Partido Trabalhista Brasileiro) criado para ser um apêndice do PSD acaba conquistando autonomia com militantes vindo do meio sindical e direto das frentes de trabalho e praças públicas; UDN(União Democrática Nacional), partido mais conservador que agremiava a elite comercial, agrária, bancária, militar.

O Partido Trabalhista Brasileiro apresentava uma nova abordagem de formação de base, ou seja um novo modo de agregar pessoas que quisessem se filiar ao partido. Seus dirigentes procuravam nos sindicatos, nas fábricas, nos comércios e até mesmo em praça pública como Os outros partidos permaneciam mais conservadores, fechados à população e trabalhadores em geral, mantendo uma postura critica em relação aos sindicatos. Leonel Brizola foi um dos fundadores do PTB junto com outros estudantes, pensadores, trabalhadores do campo e da cidade, que queriam trazer de volta a política de Vargas ao mesmo tempo que iria renová-la.

Na década de 50 o PTB foi embalado pelo movimento Queremista que gritava “Queremos Getúlio”, mostrando que a população queria Vargas de volta, através do voto elegera-o presidente do Brasil. O PSD nem tampouco a UDN não aceitava bem a ideia de agremiar os trabalhadores da cidade e do campo em seus diretórios, fazendo portando papel de oposição frente a política Petebista e uma militância anti-Varguista.

No episódio da morte de Vargas, os políticos de partidos conservadores aceitam a posse do Vice-Presidente Café Filho. O mesmo

Eleitores em 1950. Na época, as cédulas eram produzidas e distribuídas pelos partidos aos eleitores, que apenas as depositavam nas urnas.

não aconteceria quando Jânio Quadros, um político Udenista, renúncia ao cargo, deixando o como presidente João Goulart. A bancada conservadora não aceitou a ideia da ascensão do PTB à Presidência iniciando um movimento golpista em 1961. A resistência ao golpe de 1961 vai ser conhecido como o movimento da Legalidade, encabeçado pelo PTB e organizações partidárias que repudiavam a intentona golpista vinda de partidos e classes conservadoras. A resistência obtêm sucesso com o apoio das massas, em 1963 o povo aprova novamente o sistema Presidencialista dando a João Goulart mais poderes, governaria nesse sistema por pouco mais de um ano.

O Golpe iniciado no dia 1º de Abril de 1964, conhecido entre os militares como “Revolução de 64”, golpeia com armas a presidência da república, tirando João Goulart da presidência e iniciando uma limpeza. No dia 10 de abril foi divulgada a primeira lista dos cassados. 102 nomes foram incluídos, sendo 41 deputados federais. Clique Aqui! Para ver a lista dos caçados durante a ditadura.

Com o General Castello Branco na presidência foi imposto o Ato Complementar 4, do dia 20 de novembro de 1965 que estabeleceu o sistema bipartidarista. Desta maneira, apenas dois partidos políticos poderiam existir: a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Este sistema de partidos vigorou durante 12 anos, até 1979. Assim, foram extintos UDN, PSD, PTB, PSB, PSP, entre outros.

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