caetano-gal-gil-bethania-tropicalia-documentarioInovar, música popular brasileira, Guerra do Vietnã, romper, cabelos longos, rock-in-roll, ditadura, transcender, Maio de 68, multicores, liberdade sexual, psicodelia, chocar, guitarra elétrica… Quem são esses que subiam aos palcos dos festivais de música na televisão com a coragem de ser o que nunca antes se havia sido no Brasil? Sim, são os tropicalistas!

Movimento artístico-cultural de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968, em plena ditadura no país, e que aglutinou um grande grupo de músicos, cantores, compositores, maestros, letristas e artistas plásticos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Rogério Duprat, José Carlos Capinan e Torquato Neto, a Tropicália surgiu para romper com padrões, para questionar o status quo e o regime, para introduzir novos instrumentos e técnicas, novas formas de compor, novos diálogos com a literatura, com a poesia em especial.

Através de uma postura irreverente, da guitarra elétrica e de elementos do rock misturados ao samba, bolero, baião…, produziram músicas que impuseram ao público da época a necessidade de reinventar suas formas de sentir a música. Com canções de difícil assimilação naquele contexto, foram bastante criticados, vaiados, negados. Usando seus corpos e sua arte para fazer fortes questionamentos estéticos, éticos, políticos, comportamentais, morais, chocaram a muitos, e foram de certa forma incompreendidos. Inspirados nas lutas do Maio de 68 francês por liberdade, contra a guerra e a opressão, os tropicalistas bradavam que “É proibido proibir”! E com isso em seguida foram perseguidos, censurados, presos, exilados. Mas mesmo em um curto espaço de tempo, em um movimento de pouco mais de um ano, conseguiram mudar o cenário cultural no Brasil. A música, a arte, não seria mais a mesma depois dos tropicalistas!

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Gilberto Gil e Os Mutantes

Pesquisando a respeito do movimento, descobrimos o site Tropicália, um sítio riquíssimo oriundo de pesquisa aprofundada, coleta de entrevistas, textos e imagens. Um dos aspectos abordados no Tropicália é a participação desses artistas nos Festivais da Canção, que marcaram os anos 1960. O movimento explorou o espaço desses festivais de música na televisão, que se tornaram muito populares primeiramente a partir da TV Excelsior (que por pressão da ditadura acabou fechando), depois na TV Record e na TV Globo. Segundo o site, em outubro de 1967 Caetano participou do III Festival da TV Record defendendo entre vaias e aplausos a canção Alegria, alegria, “uma marchinha pop cuja letra caleidoscópica retrata fragmentos da realidade urbana – acompanhado pelo grupo argentino de rock Beat Boys. Uma esperada vaia terminou abafada por aplausos de muitos. Gil também inovou apresentando a música ‘Domingo no parque’ acompanhado pelos jovens roqueiros paulistas Os Mutantes. A grande novidade dessa música era o arranjo de concepção cinematográfica criado por Gil e Rogério Duprat”.

Caetano discursa É proibido proibir

Caetano Veloso discursa: É proibido proibir!

Já em 1968 a TV Globo lança o III Festival Internacional da Canção, em que Gil apresentou “Questão de Ordem”, sofrendo forte vaia e sendo desclassificado. “As guitarras, seu visual black power e seu modo de cantar não agradaram a ninguém. Caetano apresentou a canção “É proibido proibir”, que era “praticamente um pretexto para ele defender uma postura de ruptura declarada ao “bom gosto” que as patrulhas de esquerda e de direita impunham à cultura. Mais performático, junto aos Mutantes, armou uma verdadeira zoeira musical orquestrada por Rogério Duprat”. Logo que começaram as guitarras elétricas distorcidas, as vaias foram ensurdecedoras, e Caetano não se submeteu. Fez um discurso muito forte contra o conservadorismo na arte e na sociedade, acusando a plateia de ser igual aos repressores e de “não entenderem nada”, como é possível ouvir aqui.

No final de 1968 o Tropicalismo enquanto grupo foi desmantelado no Brasil pela repressão da Ditadura, que impôs o exílio a seus artistas, mas as marcas do movimento seguiram, dividindo opiniões. Muitos reconheceram rapidamente a qualidade artística, a ousadia inovadora, a complexidade de sua produção cultural. Outros, julgaram o trabalho como vanguardista, muito distante do público, com uma pretensão que os tornaria arrogantes. Mas, independente da postura assumida à época em relação ao grupo, é consenso que o impacto de sua estética e sua crítica marcou de maneira substancial o cenário artístico do país, e que seus participantes seguiram produzindo e inovando. Nesse sentido, sugerimos que conheças mais a respeito! Certamente vais te surpreender viajando entre as entrevistas, depoimentos, reportagens de época e outros conteúdos que foram sistematizados pelo projeto Tropicália!

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