abaixo_a_ditadura57665Nesta semana nos propomos a falar sobre as organizações clandestinas e estratégias de resistência durante a Ditadura. Pensando nisso trazemos alguns aspectos das ações empreendidas por essas organizações.

Como anteriormente vimos em outras postagens, a repressão era ferrenha contra as manifestações da esquerda. Para os que tinham dinheiro ou eram financiados por suas organizações uma opção foi o refúgio em países com mais liberdade. Mas a resistência foi a opção de muitos militantes de várias organizações que na clandestinidade permaneceram no Brasil com o objetivo de combater os militares e avançar o processo revolucionário, ou mesmo se protegerem da repressão. Esta era a orientação política de muitas organizações de esquerda.

Em documento do PCdoB,’ intitulado: “União dos brasileiros para livrar o país da crise, da ditadura e da ameaça neocolonialista”, datado de junho de 1966, por exemplo, seus dirigentes, ainda que considerassem que a luta aberta contra a ditadura era possível, não descartavam o uso da luta clandestina:

(…) Apesar do regime autoritário que impera no país, ainda há condições de utilizar comícios, greves, marchas contra a carestia, assembleias sindicais, paralisações parciais de trabalho têm sido usados pelos estudantes, trabalhadores e donas-de-casa
(…) É preciso utilizar também as formas de luta clandestina, tais como distribuição de volantes, pinturas murais, comícios-relâmpagos
 

Uma das formas utilizadas por esses militantes era a pintura em muros, conhecida como pichação, esta ação atacava muito mais do que o patrimônio público ou privado, atacava diretamente as diretrizes do governo de censura e controle social. Essas ações deixavam em evidência a resistência desses indivíduos a ditadura. Ao longo do período militar, as pichações foram consideradas atividades ilegais e subversivas. A pichação é crime de ação popular, definido no Código de Urbanismo e Obras (Lei 7427/61).

A intenção desta postagem era mostrar que os descontentes com a ditadura não ficaram calados, quietos, inertes e passivos frente a repressão. Utilizavam de várias formas de protesto : jornais, legais e ilegais, distribuição de panfletos, músicas, assim como a realização de passeatas e pichações em espaços públicos. A pichação era uma escrita da cidade, um bom meio de comunicação informal. As representações dessas manifestações incutiam significativamente na população, mobilizando as massas a aderir e/ou apoiar a militância contra a ditadura.

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