imagesNesta Semana nos propomos a falar de um movimento cultural que transformou a maneira de se fazer e de se perceber o cinema no Brasil. O Cinema novo foi um movimento que buscou no Brasil as bases para se fazer uma cinematografia autenticamente tupiniquim, seus sustentáculos são os aspectos culturais populares de nosso país.

Em 1950, jovens, artistas, pensadores passavam a discutir sobre os rumos para o cinema nacional. em 1952 aconteceu o I Congresso Paulista de Cinema Brasileiro, onde se discutiu o distanciamento do modelo ficcional do cinema norte-americano e a aproximação com elementos realistas do cinema italiano e francês. O Filme “Rio 40 Graus” do diretor Nelson Pereira do Santos, o filme traz como personagens principais cinco meninos negros que vivem no Morro do Cabuçu, na Zona Norte, e vendem amendoim em pontos turísticos da cidade, como o Corcovado, o Pão de Açúcar e Copacabana. O filme foi vetado pelo coronel Geraldo de Menezes Cortes (1911-1962), que proibiu a exibição da obra em todo o país.

Nesta primeira etapa do Cinema Novo, que vai de 1960 a 1964, podemos evidenciar os trabalho “Vidas Secas” (1963), “Os Fuzis” (1963) e o prestigiado “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964).

A preocupação desta fase do cinema era criticar e se distanciar do artificialismo e a alienação atribuídos ao cinema norte-americano. Para tanto foram usados cenários simples e naturais, imagens sem muitos movimentos e mono corte, diálogos extensos. O cinema queria se aproximar do povo, com o uso de uma linguagem própria e a abordagem de questões ligadas a nossa realidade social, fugindo a influencia americana e se voltando as raízes brasileiras. Abordando a temática do subdesenvolvimento nacional, os diretores e roteiristas inseriam trabalhadores rurais, cidadãos comuns e locais populares como elenco e locação para filmagens.

Cinema Novo

Cinema Novo

[…] Os cineastas considerados do Cinema Novo tinham em comum a preocupação com problemas sociais expressa na tentativa de fazer uma reflexão sobre a identidade nacional brasileira em seus filmes. Assim, temos um movimento
eminentemente político que, além de pensar as questões sociais, discutiu a questão cinematográfica brasileira e, nesse sentido, procurou se contrapor à massificação dos filmes estrangeiros no Brasil.MARTINS, William de Souza Nunes em A censura cinematográfica aos filmes nacionais durante a ditadura civil-militar brasileira: 1964-1988

Com a instalação de uma Ditadura no Brasil com o golpe de 01 de Abril de 1964 o discurso político engajado deixa de figurar nas entrelinhas do cinema para dar lugar ao ufanismo. Os anseios desenvolvimentistas e a defesa da ordem social passaram a protagonizar o cinema Brasileiro. A Censura buscava captar elementos que pudessem caracterizar uma crítica ao regime militar ou ainda ao capitalismo. Durante esta época a indústria da “pornôchanchada”, filmes com conteúdo sexual. Em estudos realizados por historiadores podemos perceber uma tendência por parte da Censura à aceitação de filmes que, mesmo considerados esteticamente pobres por parte da crítica especializada ou ainda contrários à moral, pudessem alavancar o desenvolvimento da indústria cinematográfica no Brasil. Ou seja aquele filme que poderia “vender bem” acaba sendo aceito, como era o caso das “pornochanchadas”. Já o discurso engajado, os diretores tiveram que enfrentar vários processos para poder ver suas películas rodando seja na telinha ou na telona. Como é o caso da película “Macunaíma”.

Macunaíma, cujo roteiro fala de um herói sem caráter para o Brasil urbano e industrializado, pós-AI-5. O roteiro retrata a história de um indio-caboclo que nasce no meio em uma aldeia no meio do mato, um negro que se transforma em vira branco e vai para a cidade e depois retorna a salve de onde veio. O Filme enfrentou 16 anos de processo de censura, até que após cortes, vetos e proibições, em 06 de agosto de 1985, são emitidos certificados pondo fim à proibição de Macunaíma.

“Terra em Transe”, dirigida pelo cineasta Glauber Rocha traz várias formas de representação nacional. O filme conta com os personagens e figuras nacionais de nossa história, as músicas tradicionais da cultura brasileira como o samba, candomblé e poesias de autores brasileiros, além de recursos de estilo bem próprio do autor. Os interesses políticos são abordados no filme, pois esta é a intenção do Cinema Novo, mas em específico, Glauber Rocha quer, por meio de seus filmes, fazer a crítica a estas formas de governo utilizando assim recursos inusitados e ao mesmo tempo mostrar um Brasil real.

Um filme que pode caracterizar a retomada do cinema novo pelas produções brasileiras é “Pra frente, Brasil do diretor Roberto Farias”.O filme trata de um inocente, Jofre, que é detido por engano, no ano de 1970, ao ser confundido com um “subversivo”. A partir daí, sua esposa e seu irmão tentam descobrir onde ele está, encontrando uma série de dificuldades nesta busca. Tendo este plano de fundo, a ideia central é discutir a tortura e a participação da sociedade civil na ditadura.

Muitos colaboradores desta veia cinematográfica brasileira foram perseguidos, exilados, presos e passaram por investigações. Aqueles que continuavam com seus ideais e com as propostas do Cinema Novo, a partir da década de 1970, vão encabeçar uma outra fase do cinema brasileiro. O chamado “Cinema Marginal” vai dar continuidade à postura contestatória e a abordagem das questões político-sociais anteriormente defendidas pelo Cinema Novo. Além das indicações que embutidas na postagem indicamos as obras dos autores : Cacá Diegues, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Santos, Rogério Sganzerla, Ruy Guerra, Olney São Paulo, Paulo César Saraceni.

Referências:
MARTINS, William de Souza Nunes A censura cinematográfica aos filmes nacionais durante a ditadura civil-militar brasileira: 1964-1988 

PINTO, Leonor Souza. Macunaíma : dezesseis anos de luta contra a censura.

Saiba Mais em :
http://www.memoriacinebr.com.br (Memória da Censura no Cinema Brasileiro)

http://www.cinemateca.gov.br/ (Desenvolve atividades em torno da difusão e da restauração de seu acervo, um dos maiores da América Latina. São cerca de 200 mil rolos de filmes, entre longas, curtas e cinejornais. Possui também um amplo acervo de documentos formado por livros, revistas, roteiros originais, fotografias e cartazes. )

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