O Movimento Estudantil apesar de heterogêneo até hoje, na década de 1960 um pouco antes do golpe, tinha uma grande quantidade de estudantes ligados à esquerda marxista. Composto de estudantes secundaristas e universitários, possuía estruturas representativas como grêmios estudantis, centros acadêmicos (CA’s), diretórios acadêmicos (DA’s) e diretórios centrais dos estudantes (DCE’s) que se limitavam aos estudantes das instituições aos quais pertenciam e estruturas mais amplas como as Uniões Estaduais de Estudantes (UEE) e a União nacional dos Estudantes (UNE).

Tanto as UEE’s quando a UNE, instituições com uma grande capacidade de mobilização de estudantes, logo após o golpe Civil Militar do Brasil, foram totalmente desarticuladas. Os principais dirigentes estudantis foram destituídos dos seus cargos e no lugar deles o III Exército criou uma Comissão Interventora, coordenada por militares, que por sua vez indicava nomes de estudantes que apoiavam o regime para presidi-las. No mesmo ano do golpe, a UNE uma das mais representativas entidades de jovens universitários, assim como a UEE não foram mais reconhecidas.

No final da década de 60, o Maio de 68 teve influência mundial sobre os jovens. O movimento estudantil, conseguiu superar a si mesmo e a indignação dos jovens ultrapassou os muros da universidade e da escola, criando forças para o movimento estudantil se rearticular novamente.

Porém, logo após essa onda de agitação, o regime reforça a sua repressão novamente. Alunos, como do Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, por exemplo, foram barrados na entrada da escola por usarem barbas, estarem com cabelos muito compridos, ou no caso das meninas que não podiam entrar com minissaia. O regime começou a estar presentes nas escolas, criaram decretos para fechar os grêmios estudantis, alunos começaram a ser expulsos, e o cerco cada vez mais fechado fez que jovens fossem viver fora do país, ou viver na clandestinidade.

O interessante de se observar, é que essa repressão ao movimento estudantil condicionou muitos desses jovens – que antes eram estudantes lutando por melhorias dentro de suas estruturas – a um caminho, muito mais radical e de enfrentamento ao regime: A luta armada!

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