Entrevista com o cônsul que sofreu tentativa de sequestro.

Entrevista com o cônsul que sofreu tentativa de sequestro.

Durante um período da Ditadura Civil Militar no Brasil, mais ou menos a partir da década de 60, que alguns grupos internalizaram a ideia de que apenas com manifestações não seria possível derrotar o regime. Neste contexto surgiram grupos guerrilheiros, e alguns grupos já estabelecidos optaram em pegar em armas. Esses grupos, passaram a se chamar e, são chamados até hoje, de organizações de luta armadas ou guerrilheiras. Aqui no Brasil, foram muitos os grupos que pegaram em armas, como a VPR (vanguarda popular revolucionária), VAR-Palmares (vanguarda armada revolucionária), MR-8 (movimento revolucionário), ORM-Polop (organização revolucionária marxista – política operária), POC (partido operário comunista, M3G (Marx, Mao, Marighella e Guevarava), entre outros.

Essas organizações realizavam ações como expropriações de bancos e/ou de armas nos quartéis-generais, e ainda ações como sequestros de autoridades internacionais, como cônsules e embaixadores, essa última como tentativa de negociar a liberdade de militantes já presos.

Em Porto Alegre em meados da década de 70 houve uma tentativa de sequestro do então cônsul norte-americano da época Cartis Carly Cutter. Esta ação foi sistematizada por membros da organização VPR. A tentativa não deu certo e os envolvidos no caso foram presos. Abaixo segue a entrevista com Cartis Carly sobre o ocorrido:

O senhor sabia que seu apelido entre os militantes que tentaram sequestrá-lo era Mr. CCC, referência ao Comando de Caça aos Comunistas?
Curtis Carly Cutter – Eu não tinha ideia. Era um apelido muito inapropriado, porque eu vinha de uma cultura acadêmica muito liberal, e minha postura era tentar fazer contato com todos os elementos da política em Porto Alegre. Ser anticomunista era ser como o senador Joseph McCarthy e, naquela época, eu poderia ser descrito como um social-democrata. Mas posso dizer que o comunismo era identificado com o stalinismo. E o stalinismo não era um regime nada liberal.

Talvez a fama venha do fato de o senhor ter servido o Exército americano na Guerra da Coreia…
Cutter – Sim, é verdade. Mas durante a guerra todo mundo teve de servir. Foi na Coreia que decidi seguir a carreira diplomática. Quando se está numa guerra, é comum pensar: “Esta não é a melhor forma de resolver um problema”.

Como o senhor vê a tentativa de sequestro que sofreu?
Cutter – Eu não queria ser sequestrado, mas entendo por que eles queriam me sequestrar. Se eu estivesse no lugar deles, provavelmente faria o mesmo. Talvez não aos 40 anos, com seis filhos, mas aos 20, em condições similares, tenderia a ser militante como eles. Quando os vi na prisão, fiquei triste. Porque eu entendia que eles queriam trazer mudança a uma sociedade que precisava mudar.

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