Em março de 2013, em depoimento durante uma Audiência da Comissão Nacional da Verdade em Porto Alegre, o advogado Carlos Araújo, ex-preso político da Ditadura Civil Militar, abordou uma das reivindicações daqueles que lutam pelo esclarecimento dos fatos ocorridos durante a ditadura: o financiamento do Golpe e da Ditadura por empresários brasileiros.

Como podemos ver no vídeo, Carlos Araújo faz sérias denúncias que envolvem os empresários ligados à FIESP. Segundo eles, tal federação financiou não somente o Golpe, mas também os centros de tortura como a OBAN e o DOI-CODI.

Empresários e Militares

Essa tem sido uma das preocupações investigativas desde o início dos trabalhos da Comissão da Verdade. Também em março desse ano, em um Seminário realizado na ALESP em São Paulo como o apoio da CNV, a participação de civis e de empresários na implementação e na manutenção da ditadura apareceu como objeto de atenção da Comissão. Na intervenção de Rosa Cardoso, fica evidente a preocupação em “entender o elemento civil no golpe e na própria ditadura, sobretudo a participação de empresários”.

Nessa semana, o jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem cujo conteúdo é a descoberta de documentos da Escola Superior de Guerra (ESG), que sugerem o engajamento de empresários ligados à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no processo do golpe e no financiamento da Ditadura. Trata-se de transcrições de palestras, conferências, monografia, enfim, uma série de documentos que corroboram com a ideia de que muitos empresários custearam o aparelho repressor dos anos ditatoriais. Confira aqui a matéria da Folha – Papéis de Militares expõem atuação da Fiesp no Golpe de 1964 – na integra.

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