mapa resistenciaÉ consenso que a ditadura civil-militar esteve presente em todo Rio Grande do Sul e desta forma, foram instalados locais de prisão e maus-tratos em muitas cidades gaúchas. A partir do levantamento feito pela equipe que elabora o Catálogo Seletivo Resistência em Arquivo: Memórias e Histórias da Ditadura no Brasil, foram mapeados locais de prisão em mais de cinquenta cidades no estado. As cidades de Erechim, Nonoai, Santa Bárbara do Sul, Santa Maria, Uruguaiana, por exemplo, são frequentemente mencionadas pelos ex-presos políticos em seus depoimentos.

Falando especificamente de Porto Alegre, podemos citar como locais geridos pelo Estado, a Ilha da Pólvora (ou Ilha das Pedras, Ilha das Pedras Brancas, Ilha do Presídio); o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), hoje Palácio de Polícia; o Serviço Social do Menor (SESME); o Dopinha, localizado na Rua Santo Antônio; o Regimento Bento Gonçalves; a Penitenciária Feminina Madre Peletier e o Presídio Central. Muitos locais administrados pelo exército também foram utilizados como prisões, dentre eles, o 3° Batalhão de Polícia do Exército de Porto Alegre, que aparece em alguns processos como Quartel da 6º Cia de Polícia do Exército; o Regimento Osório de Cavalaria; o Quartel da Serraria; o 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada e o 18o Regimento de Infantaria. Todos estes locais hoje são reconhecidos pela violência aplicada aos presos políticos e isso caracteriza o quanto a repressão foi intensa na capital. Tudo o que acontecia nestas instituições era em nome do bem da população e pela manutenção da “democracia”.ilha do presídio

Através dos processos administrativos que compõe o acervo da Comissão Especial de Indenização verificamos que em alguns casos eram comuns as transferências entre instituições geridas pelo exército e outras geridas pelo Estado. Muitos ex-presos relatam que foram presos por agentes públicos sob o comando do Estado e transferidos para quartéis do exército. O levantamento, que estará representado no catálogo em forma de lista e através de um mapa, salienta que a estrutura repressiva estava fortemente estabelecida e de certa forma interligadas.

Indicamos para leitura Estado de Exceção e Vida Nua: Violência Policial em Porto Alegre entre os Anos de 1960 e 1990 – de Susel Oliveira da Rosa.

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