Toda ditadura é marcada pela imposição dos interesses de uma minoria para a maioria da sociedade. Fecham-se ou estreitam-se os espaços de participação na vida política, que passa a ser ocupada quase que exclusivamente por aqueles que detém maior poder. Poder que é determinado, sobretudo, pela força econômica e militar. Dentre outras estratégias para o controle e para a imposição de um projeto de sociedade, destacamos a utilização da violência, numa escala inédita na violenta história brasileira. Durante todos os anos da Ditadura Civil-Militar, a violência foi utilizada para eliminar fisicamente aqueles que se colocavam na oposição ao regime, mas também tinha uma função de causar temor em toda a sociedade. Isto fazia parte da guerra psicológica prevista na Doutrina de Segurança Nacional e Desenvolvimento, contida nos mais importantes manuais militares da época. Assim, buscava-se provocar o desestímulo à participação na vida pública nacional. Dentro desta perspectiva, tinham especial importância os sequestros e os assassinatos fomentados por interesses políticos, a tortura (mal) dissimulada, as prisões arbitrárias para averiguações, os atentados, as falsas informações e a censura, a repressão a manifestações e greves. Enfim, todos estavam ou sentiam estar próximos das bainotas caladas e do tacão militar.

     Todas as sociedades que passaram por regimes ditatoriais sofrem décadas com as marcas deixadas pelos anos de autoritarismo. Cada um de nós deve perceber que herdamos elementos desse período e que, de alguma forma, fazem parte direta de nossas vidas. Além dessa percepção, devemos retomar a experiência de pessoas que sentiram em suas peles e em seus corações todo a absurda violência praticada pelo Estado. A seguir, indicaremos alguns materiais que nos possibilitam o contato com essas histórias.

Indicamos o documentário 15 Filhos, e, com ele, aproveitamos para divulgar o site em que se encontra, que é um acervo de vídeos sobre o período da Ditadura:
http://www.videotecas.armazemmemoria.com.br/Video.aspx?videoteca=Mg==&v=ODA=

O livro Direito à Memória e à Verdade: histórias de meninas e meninos marcados pela ditadura. A obra nos proporciona depoimentos de diversas vítimas, que eram crianças quanto tiveram que enfrentar situações absurdas:
http://portal.mj.gov.br/sedh/biblioteca/livro_criancas_e_adolescentes/livro_criancas_e_adolescentes_sem_a_marca.pdf

Aproveitamos para indicar a leitura do livro K, de Bernardo Kucinski, que retrata muito do que fora e é enfrentado pelos parentes de pessoas sequestradas e mortas pela Ditadura. O livro não é de fácil acesso, apesar de ter sido rebublicado há pouco tempo, mas vale o esforço por sua procura. Contudo, já que não podemos disponibilizar o livro, indicamos uma entrevista com o autor, que é, além de escritor, jornalista e ex-professor da USP:
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5411&secao=439

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