O trabalho de Gustavo Germano busca recriar uma cena vivenciada a décadas, que fora eternizada pelas lentes de máquinas fotográficas. Na comparação das imagens se percebem ausências de alguns protagonistas. Além disso, pode-se perceber que as pessoas presentes mudaram muito, não apenas pela passagem natural dos anos, mas pela necessidade de conviver diariamente com uma insolúvel dor. São marcas causadas pela saudade do companheiro ou da companheira que não esta presente; por ter a certeza de nunca mais o ver; por imaginar diariamente quais foram os lugares e a forma de seus últimos momentos, mas ter que conviver com a impossibilidade de ter certezas, portanto ter que imaginar diversas hipóteses; de ter parte de seus sonhos e expectativas arrancados brutalmente por um regime que se assentava sobre a violência. Não acreditamos que pode haver qualquer forma de beleza assentadas sobre tais brutalidades, quer na forma de imagens ou texto, contudo, esse tipo de produção nos toca para a humanidade de tudo que estamos tratando. Nos faz sentir e pensar sobre as repercussões do terror de Estado, de suas torturas, prisões, desaparecimentos, mortes e o enorme silêncio e desinformação que paira acima de tudo isso. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios