Durante o período que antecedeu o Golpe, pelo menos desde a Revolução de 30, o movimento sindical urbano (principalmente) cresceu em quantidade e importância no âmbito político. Logo que se dá o Golpe grande parte da estrutura sindical, nos seus diferentes níveis, é afetada com restrições e proibições impostas pela Ditadura. Após a repressão inicial, é retomado parte do movimento sindical crítico, que desembocam nas greves de Contagem e Osasco, em 1968. Essas são pronta e violentamente reprimidas, assim como todas as outras mobilizações que ocorrem após a imposição do Ato Institucional nº 5, em dezembro do mesmo ano. A repressão controlou a classe operária durante alguns anos, contudo, as demandas dos trabalhadores somente cresciam, ainda mais com o constante rebaixamento dos salários. O controle imposto pela Ditadura e a diminuição dos salários foram elementos importantes para proporcionar o significativo crescimento econômico, durante o chamando “Milagre Econômico”. Como já dito, a abertura política trouxe à cena política os movimentos sociais de diversas áreas, porém, com especial importância para o novo sindicalismo, que surgia sob a crosta autoritária.

Os trabalhadores sindicalizados passam de menos de 1 milhão, em 1960, para mais de 10 milhões em 1978, sendo cerca de metade da zona rural. Cresce o número de sindicatos fundados durante a década de 80, em relação à década anterior: de 2.260 passam para 4.376, segundo dados do IBGE.

Mudam também as áreas de atuação da maioria dos sindicalizados. No período populistas (consideramos que inicia com Vargas, em 1930), eram sobretudo de empresas estatais, enquanto no novo sindicalismo se destacam os setores industriais de ponta (automobilístico, metal-mecânico, petrolífera, etc.), profissionais assalariados da classe média (professores, bancários, médicos, etc.) e trabalhadores do campo. Contudo, inquestionavelmente o setor mais dinâmico e organizado se encontra nos operários de São Paulo. Destacam-se e se aproximam de outros setores pela defesa do fim dos limites impostos pela ditadura aos sindicatos, para, assim, poder representar os reais anseios dos trabalhadores. Além de outra forma de representação e de novas reivindicações, o movimento compreendido como novo sindicalismo defendeu maior articulação entre diferentes setores, o que garantiria maior peso político. A Central Única dos Trabalhadores, fundada em 1983, representa esse objetivo, assim como a organização propriamente de uma partido político.

Indicamos o documentário ABC em Greve, iniciado na época, mas encerrado apenas anos depois. Busca retratar a experiência dos operários de São Paulo, durante as greves do final da década de 70. Ressaltamos a importância desse movimento devido seu significado para a formação de um movimento sindicalista mais crítico e atuante na luta pelos interesses da classe trabalhadora. O diretor do documentário, Leon Hirszman, em entrevista, apresenta uma significativa compreensão de sua obra, como reflexo de um momento histórico (presente em GRANADO, p. 212):

“mostra criticamente três rios simultâneos: o rio do movimento dos trabalhadores – a vida e as condições sociais dos trabalhadores do ABC naquele momento. O rio do empresariado – as multinacionais, as grandes montadoras, o grupo dos sete [sic, grupo dos 14, conforme o próprio filme] da FIESP, que se não me engano, era ligado àqueles que estavam em greve, que são os trabalhadores nas montadoras de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema [região do ABCD]. E o terceiro rio, o regime – o Estado, aquilo que vinha como ordem: Figueiredo, Murilo Macedo, as questões oficiais, as intervenções.”

Bibliografia:

ALMEIDA, Maria de. O sindicalismo brasileiro entre a conservação e a mudança. Disponível em:  http://books.scielo.org/id/b4km4/pdf/sorj-9788599662632-08.pdf

MACIEL, Laura. O cinema na greve e a greve no cinema: memórias dos metalúrgicos do ABC (1979-1991). Disponível em: http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Tese-2008_SILVA_Maria_Carolina_Granato_da-S.pdf

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