Sem títuloAo tratar do feminismo, como um movimento assim identificado, no contexto político de redemocratização do Brasil, damos um passo indispensável para o exercício da memória de nossa sociedade. Com este exercício, compreendemos uma categoria de análise que nos ajuda a identificar transformações históricas diretamente relacionadas à vida das mulheres e dos homens. Esta categoria tem sido tratada pela literatura como gênero.

A questão de gênero, mais além das categorias biológicas sexuais (homem e mulher, que condicionaram o pensamento tradicional de forma excludente, naturalizando a heteronormatividade), possibilita uma análise da própria construção e reprodução das identidades relacionadas às orientações sexuais de variados grupos, de diferentes classes sociais e raças/etnias, a partir do entendimento que os grupos de indivíduos fazem das suas próprias identidades. (“Além do fato de ser biologicamente homem ou mulher, o que significa ser homem ou ser mulher para nossa sociedade? Quais modelos hegemônicos de masculinidade e de feminilidade operam em nossa sociedade?”) Ou seja, não poderíamos então compreender as transformações sociais observando apenas com um recorte de gênero, sem relacioná-lo de forma transversal, com outros elementos identitários tão importantes quanto, principalmente as identidades étnicas e as identidades referentes às classes sociais, pois configuram diferentes práticas identitárias; diferentes “possibilidades de ser”; e suas inter-relações de poder.

Podemos afirmar que o movimento feminista no Brasil consolidou-se como movimento nacional no contexto de luta contra a ditadura militar, que ocorria na América Latina em meados dos anos 70. Neste momento espalhavam-se ideias feministas em âmbito global, caracterizando a chamada segunda onda feminista, que diferenciou-se da primeira onda feminista por não representar reivindicações políticas apenas das mulheres da alta sociedade, como ocorrera no século XIX, inclusive no Brasil. A segunda onda estaria mais voltada a um pensamento crítico aos sistemas vigentes, mais interessado em popularizar-se pela ideia da igualdade universal, não apenas por direitos políticos iguais aos dos homens, mas por mais igualdades entre os homens e as mulheres.

Sem título

A terceira onda feminista, ou feminismo da diferença, aparece em meados dos anos 80 como resultado de um exercício intelectual pós-crítico, com olhos para as diferenças. Apresenta críticas àquela igualdade idealizada, que é na realidade o discurso dominante falando pelos subalternos invisibilizados. (O termo “homem”, quando representa todos os seres humanos a partir dos anseios do próprio homem dominante; ou a mulher da elite que, em sua fala, pretende representar uma totalidade das mulheres) Aqui surge o conceito de gênero como categoria de análise para trabalhar a compreensão das diferenças, tanto entre homens e mulheres como entre diferentes tipos de homens e diferentes tipos de mulheres.Sem título

Advertisements