No mês de outubro, a equipe responsável pela elaboração das postagens veiculadas no Blog Resistência em Arquivo, tentou contemplar conteúdos e discussões que problematizem o período da Redemocratização no Brasil. Nesse caminho, publicamos matérias sobre a reorganização partidária e a luta por eleições diretas para presidente no ano de 1980, que ficou conhecida pelo movimento Diretas Já. Produzimos textos sobre a reorganização dos movimentos sindicais e sobre o feminismo e, ainda, aventuramo-nos na complexa discussão acerca das rupturas e permanências vividas nesse período de transição da ditadura civil-militar para a democracia.

            Encerramos essa série de postagens, lembramos um dos Movimentos Sociais mais significativos na história recente do nosso país, o Movimento dos Sem Terra (MST). Responsável por agregar parcela significativa de trabalhadores do campo que reivindicam o direito a terra e o direito de nela produzir, tal movimento se transformoNão calo gritou em um importante agente da luta dos trabalhadores rurais junto ao estado e as políticas agrárias por ele construídas.

            E como forma de retomar muitos desse elementos, vamos hoje sugerir uma leitura e o manuseio de um material riquíssimo que trabalha com muitas dessas discussões. Trata-se da obra, escrita pelos historiadores Diesnstmann, Guazelli e Rodeghero, Não Calo, grito: memória visual da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul. Nela vamos encontrar, além de textos bastante acessíveis de muita qualidade, excelentes e intrigantes imagens (fotos, cartazes, charges…) que retratam tal contexto no Rio Grande do Sul.

Movimento Estudantil

Movimento EstudantilA segunda metade da década de 1970 foi marcada pelo processo de reconquista das ruas para as manifestações populares. Os protagonistas dessa nova ou renovada forma de fazer política foram os estudantes, através das entidades estudantis. Sua ação acabou servindo como exemplo que foi seguido, logo depois, por outros setores ou organizações da sociedade civil.[…] os estudantes procuraram reorganizar as entidades que representavam suas demandas: a UNE e as UEEs. O movimento estudantil gaúcho também se envolveu em outras campanhas do período, contribuindo significativamente para a luta pela anistia e dando apoio as demandas sindicais de trabalhadores.

Movimento Sindical urbano

Na segunda metade da década de 1970, o movimento sindical, ao lado do Movimento Sindicalmovimento estudantil, passou a ter grande importância na esfera nacional e se tornou um dos principais protagonistas na luta pela redemocratização. Diversas categorias de trabalhadores se mobilizaram e promoveram ondas de greves, confrontando a política de abertura e o arrocho salarial. Dentro dos sindicatos, começaram a surgir novas lideranças e novas bandeiras de luta, como a defesa do direito á autonomia e à organização das entidades sem a interferência estatal. No ano de 1979, mais de três milhões de trabalhadores entraram em greve em todo o Brasil, com o Rio Grande do Sul entre os grandes protagonistas dessas mobilizações. […] Nesse processo de transformações no meio sindical, dois grupos diferentes se fortaleceram e ascenderam às diretorias: a Unidade Sindical, formada por setores da esquerda “tradicional”, como o PCB, o PCdoB, o MR-8; e o autodenominado “sindicalismo combativo” ou “novo sindicalismo”, identificado com as correntes que surgiram no contexto grevista do final dos anos 1970 e que depois veio a desembocar no PT e na Central única dos Trabalhadores (CUT).

Movimentos Sociais do Campo

Movimento Trabalhadoras Rurais (1)A organização dos trabalhadores rurais sem-terra adquiriu grande importância no contexto de retomada dos movimentos sociais no final da década de 1970. a exclusão de um grande número de trabalhadores do acesso à terra foi impulsionada pelo processo de modernização e capitalização das atividades agrícolas ocorridas ao longo da ditadura. No Rio Grande do Sul, a modernização pelo acesso à terra passou a marcar a vida política a partir de 1978 e pôs a região norte do estado no centro de grandes lutas sociais.[…] Em janeiro de 1984, ocorreu o 1° Encontro Nacional dos Trabalhadores Sem Terra, com o objetivo de promover trocas entre experiências que haviam ocorrido no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina. Nesse encontro foi fundado o MST, que aos poucos ganhou adesões em diversas regiões do país. […] Merece relevo também a mobilização das mulheres trabalhadoras rurais gaúchas em busca de direitos e cidadania, que ganhou força na década de 1980. Partindo dos sindicatos de trabalhadores rurais, foi organizado ao longo dessa década o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR).

Os “novos” movimento sociais

Surgidos ao longo da década de 1970, especialmente nos seus últimos anos, diversos movimentos sociais passaram a levantar novas demandas e propor novas formas de participação política e social. Entre eles, destacamos as mobilizações contra o aumento do custo de vida, a defesa do meio ambiente, a defesa dos direitos humanos, o feminismo e o movimento negro.

Movimento MulheresMovimento NegroMovimento Ambientalista

Fizemos um pequeno recorte do conteúdo do livro e das dezenas de imagens que nele constam. Indicamos sua leitura na íntegra. Também apontamos o potencial pedagógico que reside nas imagens selecionadas para fazerem parte dessa obra. Inclusive, sua produção foi pensada nesse sentido, tanto que acompanha o livro, um Caderno Pedagógico com sugestões de atividades para serem realizadas em sala de aula. Com essa indicação, portanto, encerramos as postagens de conteúdos referentes ao período da redemocratização.

Bibliografia:

DIENSTMANN, Gabriel; GUAZELLI, Dante Guimarães; RODEGHERO, Carla Simone. Não calo, grito: memória visual da ditadura civil-militar no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2013.

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