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Espaços de Memória na América Latina

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Compartilhamos, além de reflexões acerca do papel que a identificação e a ressignificação de espaços nos quais ocorreram violações dos Direitos Humanos desempenham na construção da democracia, o Projeto construído na cidade de Porto Alegre que prevê a construção do Memorial Ico Lisboa. Por enquanto, esse lugar de memória, além de residir em algumas memórias, encontra-se nas páginas de projeto que aguarda ser executado – todos torcemos para que seja em breve!!!!

Achamos importante, no entanto, compartilhar projetos que já foram executados em outros lugares, para que vocês visualizem aquilo que chamamos de ressignificação de espaços. Para tanto, selecionamos três pequenos vídeos que nos apresentam três espaços importantíssimos de memória por excelência, para utilizar uma expressão cunhada pelos setores que se mobilizam em torno dessa pauta. O primeiro é o Memorial da Resistência de São Paulo, o segundo é o Archivo Provincial de la Memoria de Cordoba e o terceiro é o Museo de la Memoria e de los Derechos Humanos.

O Memorial da Resistência de São paulo fica localizado no prédio da Pinacoteca na cidade de São Paulo. Trata-se de um museu histórico instalado no prédio do antigo Deops/SP, dedicado à pesquisa e salvaguarda das memórias de repressão e resistência do Brasil.

O Archivo Provincial de la memoria de Cordoba fica localizado na cidade de Córdoba na Argentina e ocupa o espaço onde funcionou o Departamento de Inteligência da Polícia da Província de Córdoba e um centro clandestino de detenção durante a ditadura-civil militar argentina.

O Museo de la Memoria e de los Derechos Humanos fica localizado na capital do Chile, cidade de Santiago, é um espaço destinado à visibilização das violações dos Direitos Humanos cometidas pelo Estado do Chile entre os anos de 1973 e 1990 e ao estimulo de reflexões e debates acerca do período e da imporância do respeito e da tolerância para que tais fatos nunca mais aconteçam.

Retratos da ausência

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O trabalho de Gustavo Germano busca recriar uma cena vivenciada a décadas, que fora eternizada pelas lentes de máquinas fotográficas. Na comparação das imagens se percebem ausências de alguns protagonistas. Além disso, pode-se perceber que as pessoas presentes mudaram muito, não apenas pela passagem natural dos anos, mas pela necessidade de conviver diariamente com uma insolúvel dor. São marcas causadas pela saudade do companheiro ou da companheira que não esta presente; por ter a certeza de nunca mais o ver; por imaginar diariamente quais foram os lugares e a forma de seus últimos momentos, mas ter que conviver com a impossibilidade de ter certezas, portanto ter que imaginar diversas hipóteses; de ter parte de seus sonhos e expectativas arrancados brutalmente por um regime que se assentava sobre a violência. Não acreditamos que pode haver qualquer forma de beleza assentadas sobre tais brutalidades, quer na forma de imagens ou texto, contudo, esse tipo de produção nos toca para a humanidade de tudo que estamos tratando. Nos faz sentir e pensar sobre as repercussões do terror de Estado, de suas torturas, prisões, desaparecimentos, mortes e o enorme silêncio e desinformação que paira acima de tudo isso. 

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Documentário “(A.H.F) Condor”

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Conforme pode ser melhor compreendido na postagem a seguir, a “Operação Condor” foi uma conexão repressiva articulada nos anos 70 entre as ditaduras do Cone Sul com apoio da CIA, apoio que podia ser policial, militar, estratégico, econômico.

No documentário “Condor” Roberto Mader conta essa história através de depoimentos de generais, ativistas políticos, torturadores, vítimas e parentes dos desaparecidos. Condor foi filmado em quatro países e traz rico material de arquivo, acompanhado de belas composições de Victor Biglione. Vencedor dos prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Prêmio Especial do Júri em Gramado em 2007. Assista!

A MPB e a censura

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censuraA MPB – como estilo musical – se torna uma das maiores expressões culturais de resistência ao regime militar na década de 1960 à 1970 no Brasil. Bem recebida pelo público, principalmente pela classe média, ela se torna alvo favorito da censura, justamente por passar a expressar em suas letras posicionamentos políticos engajados e críticos.

O estilo musical conquistou espaço especialmente a partir dos Festivais da Canção (1965 à 1985), que lançaram compositores que enfrentaram o regime e até hoje fazem sucesso. Muitos foram os compositores da MPB atingidos pela censura da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Nara leão, Elias Regina, entre outros. A DCDP criada no governo Vargas em 1939 teve o auge de sua atuação a partir de 1964, com ápice na década de 1970.

Geraldo Vandré - no Festival da Canção em 1968.

Geraldo Vandré – no Festival da Canção em 1968.

Um caso visto como censura, por exemplo, dentro do próprio Festival da Canção em 1968, é o famoso episódio onde a música de Geraldo Vandré – Pra não dizer que não falei de flores – que claramente fazia uma crítica ao regime, incitava a população a sair as ruas e se manifestar, e conquistou o público do Festival, deixou de ganhar para dar lugar à música de Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim – Sabiá, campeã de acordo com a opinião dos jurados.

Queremos hoje compartilhar com vocês a reação do público que se indignou ao perceber que a música vencedora não foi a de Geraldo Vandré. Confira abaixo. É fantástico!

Manifestações artística na denúncia à Ditadura, desde o início- Sampaulo e Henfil

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Como de costume, sempre tentamos fazer um resgate daquelxs, que depois do Golpe Militar de 1964, expressaram-se contra o regime através da arte, da cultura e do lúdico. Gostamos de indicar em nossas postagens, materiais que possam ser utilizados em sala de aula e acreditamos que fontes carregadas de humor, como no caso das charges, podem se transformar em materiais pedagógicos riquíssimos.

Do senso de humor e ironia aliados ao talento desses chargistas, resultaram trabalhos críticos, que servem de registro do que ocorria na época. Hoje, que escrevemos sobre o AI-1, vamos aproveitar para mostrar algumas charges referente a esse primeiro período da Ditadura Civil Militar brasileira.

Para isso, escolhemos alguns trabalhos doSampaulo(Paulo Sampaio)e do Henfil (Henrique de Sousa Filho). Confere ai!

Os Centros Populares de Cultura no período Pré Golpe de 1964

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 Em meio às turbulências vividas na primeira metade dos anos 1960, tinha-se a impressão de que as tendências de esquerda estavam se fortalecendo na área cultural. O Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) encenava peças de teatro que faziam agitação e propaganda em favor da lut apelas reformas de base e satirizavam o “imperialismo” e seus “aliados internos”. (KONDER, L. História das ideias socialistas no Brasil).

Manifesto do Centro Popular de Cultura

Manifesto do Centro Popular de Cultura

Além das movimentações políticas, econômicas e sociais que envolveram o país e o mundo na segunda metade do século XX, como acompanhamos nas postagens anteriores, também de muita arte viveu o Brasil nos anos 60. No mesmo período de intensas mobilizações em torno da Legalidade e da garantia da posse do presidente João Goulart, ao mesmo tempo em que grupos sociais se organizavam para reivindicar reformas estruturais no país, artistas e intelectuais da esquerda construíram o Centro Popular de Cultura, com o objetivo de criar e de divulgar uma “arte popular revolucionária”.

 Associada à União Nacional dos estudantes – UNE, os CPCs surgiram na cidade do Rio de Janeiro, em 1961, e posteriormente foram se espalhando para outras cidades do país. Reuniram artistas de diversas áreas – como teatro, música, cinema, literatura – que acreditavam no caráter coletivo e didático da arte e no engajamento social e político dos artistas.

Centro Popular de Cultura e o Teatro

Centro Popular de Cultura e o Teatro

Segundo Kornis, o núcleo formador do Centro foi constituído por Odulvado Viana Filho, pelo cineasta Leon Hirszman e pelo sociólogo Carlos Estevam Martins. Os princípios do projeto foram expostos no “Ante projeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura”, redigido e divulgado no ano de 1962. Apesar de não termos encontrado disponível o manifesto na íntegra, as referências utilizadas para a construção dessa postagem nos remontam a uma compreensão de que a arte do povo seria “de ingênua consciência”, sem outra função senão “a de satisfazer as necessidades lúdicas e de ornamento”. Segundo os integrantes, o CPC, nesse caso, “pretendia tirá-las da alienação e da submissão”, partindo da leitura de que as manifestações culturais deveriam ser compreendidas “sob a luz de suas relações com a base material” e nunca como “uma ilha incomunicável e independente dos processos materiais. Em outras palavras, defendiam que a “arte só irá onde o povo consiga acompanhá-la, entendê-la e servir-se dela”.

Centro Popular de Cultura

(LP) O Povo Canta

 O CPC travava uma importante batalha na qual acretiva estar ao lado do povo a arte comprometida em debater os problemas reais das gentes reais do país. Para o grupo, o diálogo com o cotidiano, com as culturas populares, com as lutas do povo e suas múltiplas manifestações deveria ser o ponto de partida e o de chegada das criações artísticas – para eles, a chegada estaria caracterizada pela transformação da inicial “ingênua consciência”, dai o caráter engajado da concepção no combate à opressão e à exploração. No período de sua breve existência, entre o início dos anos 60 e o Golpe Militar em 1964, o CPC promoveu a encenação de peças de teatro em portas de fábricas, nos sindicatos e nas ruas de várias cidades e em áreas rurais do Brasil.

 Segundo Kornis, O teatro da UNE, com a apresentação da peça Os Azeredos mais os Benevides, de Oduvaldo Viana Filho, foi inaugurado às vésperas da derrubada do presidente João Goulartpelos militares, em 31 de março de 1964. Nos primeiros dias de abril, a sede da UNE foi incendiada e todos os CPCs foram fechados.

Música e o CPC

(LP) O Povo Canta

No entanto, apesar do fechamento do CPC, da prisão ou exílio de artistas e intelectuais ligados ao Centro, não há dúvidas de que suas propostas influenciaram as diversas manifestações artísticas das décadas posteriores. A possibilidade de vincular a arte às questões políticas vividas por nossa sociedade nos diversos períodos históricos posteriores, contribui para a valorização da cultura popular brasileira nas suas diferentes produções.

Curiosidades!!!

Entre dezembro de 1961 e dezembro de 1962, o CPC produz as peças Eles não usam black-tie, de Guarnieri, e A Vez da Recusa, de Carlos Estevam; o filme Cinco Vezes Favela, composto por cinco episódios, com a direção de Joaquim Pedro de Andrade, de Marcos Faria, Cacá Diegues, Miguel Borges e Leon Hirszman. Publicou a coleção Cadernos do Povo e a série Violão de Rua, das quais participam Moacir Félix, Geir Campos e Ferreira Gullar.

Promoveu também a venda de livros a preços populares e foi pioneiro na realização de filmes auto-financiados; a edição da coleção Cadernos Brasileiros e a Revista Civilização Brasileira, editadas por Ênio Silveira, e a História Nova, organizada por Nelson Werneck Sodré; cursos de teatro, cinema, artes visuais, filosofia e a UNE-Volante, um grupo itinerante que realizava excursões pelas capitais do país para contatos com as bases universitárias, operárias e camponesas; oficinas de literatura de cordel que contaram com a participação de Félix de Athayde e de Ferreira Gullar; o projeto do teatro de rua, de Carlos Vereza e João das Neves, assim como o teatro camponês, de Joel Barcelos, que pretendiam levar a arte ao povo, nos locais de trabalho, moradia e lazer; feiras de livros acompanhadas de shows de música, para os quais convidaram os “sambistas do morro”, então desconhecidos do público, como Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Cartola, e Vinícius de Morais, autor do Hino da UNE; aulas de teatro, com a adesão Paulo Francis; e, por fim, atividades ligadas à artes plásticas, com Júlio Vieira, Eurico Abreu e Carlos Scliar.

Referência:

– Centro Popular de Cultura – Wikipedia.

– Mônica Almeida Kornis, Centro Popular de Cultura. Confira na integra o texto publicado no portal da Fundação Getúlio Vargas.

– KONDER, L. História das ideias socialistas no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2003.

Para saber mais…

Livro Manoel T. Berlink

Livro Manoel T. Berlink

– Livro de l T. Berlinck, Centro Popular de Cultura da UNE, disponível em PDF.

– Carla Michele Ramos. O papel dos artistas e intelectuais do Centro Popular de Cultura (1961-1964) na construção de uma nova sociedade.

Zuzu Angel – A arte significando e ressignificando histórias!

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COMISSAO

Luta para descobrir a verdade.

 Como vimos na postagem anterior, nessa semana saiu um relatório da Comissão da Verdade Vladmir Herzog (ainda não publicado), que apontou uma nova versão sobre o caso da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, considerada até o momento como resultado de um acidente.
Zuzu procura o filho militante.

Zuzu procura o filho militante.

     Consideramos que tal fato é um avanço para a história de um país que ainda não consolidou nem a ideia de uma necessária justiça de transição e menos ainda a sua aplicação. Não podemos esquecer que muitos casos ainda continuam sem solução, que ainda há muitos desaparecidos, suicidas e vítimas de transito no Brasil e na América do Sul, histórias a espera de seus devidos registros. 
Poster do Filme

Poster do Filme

Aproveitando o momento, queremos indicar um filme, baseado em uma história repercussão nacional e internacional. Trata-se do filme Zuzu Angel, produzido em 2006, com direção de Sérgio Rezende, que conta a história de uma mãe da classe média, que vai atrás de verdade e justiça em relação aos fatos ocorridos com próprio filho, um militante do Movimento Estudantil que foi sequestrado, torturado e, até hoje, desaparecido. Com certeza, as reflexões são suscitadas pela busca incessante pelo corpo do filho marcada na vida e na luta de Zuzu; vida, luta e angustias que muitos familiares sofreram e sofrem até hoje. Para que nunca mais aconteça!Um pouquinho mais…Uma linda homenagem à vida e à luta de Zuzu, encontramos na música Angélica, composta por Chico Buarque de Holanda. Para acessar, clique aqui!

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